quinta-feira, 12 de junho de 2014



Tentava lembrar-me de como tudo começou, de como a vida nos cruzara naquela combustão de segundo e de como nos havia ligado assim, assim sem saber como explicar, assim, assim, assim... ou assim como quem tem medo de dizer, porque sabe, mas simplesmente tem medo de o dizer e então fica-se pelos silêncios pensados.

Na inutilidade do esforço, as lembranças vão parando em momentos, em fracções de segundo, em palavras sussurradas, num esgar teu, no teu cheiro que sinto todos os dias na t-shirt que deixaste esquecida, segundo dizes, mas sei bem que é propositado.

E volto aquela foda de joelhos. Aquela em que te pões de costas para mim, com o rabo empinado, a menear, a dançar à minha frente. As mãos a agarrarem-te a cintura, o meu corpo a bater contra o teu, e a entrar em ti sucessivamente, repetidamente. Apanhar-te o cabelo que já está colado na cara pela transpiração, puxar-te a cabeça para trás, cortar-te a respiração, abafar-te os gemidos, e entrar em ti bem fundo até sentir as tuas pernas a tremer...

E enquanto a vontade engorda, a alma mirra e quase entristece. Tenho saudades tuas. 

Caralho pah, tinha intenção de meter aqui uma coisa assim, assim, assim, como vocês sabem, mas que eu não consigo dizer, e ainda não será desta...

A ouvir Madness, Muse


...




quarta-feira, 4 de junho de 2014

Regista e guarda! (3)





Tenho tanto sentimento 
Que é frequente persuadir-me 
De que sou sentimental, 
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa



Estava aqui a pensar...




Por estes dias ía a caminho do Parque da Cidade e via pela Avenida algumas mulheres, sozinhas ou em grupo, que corriam ou caminhavam, e ocasionalmente, um carro conduzido por um homem buzinava-lhes.
Numa pequena peguilha pelos meus pensamentos, questionava porque é que quando um gajo vai a correr, não passa uma mulher e manda uma baita duma buzinadela, e diz: és tão bom, comia-te todo!!!
Porquê???!


...





sexta-feira, 30 de maio de 2014

Petiscos



Um dia destes, como o tempo assim o demandava, fui comer umas Tripas à moda do Porto. Estavam por demais boas. A carne era excelente, bem cozida e cozinhada, o feijão saboroso, tenro, a desfazer-se na boca, e no final aquele trago a cominhos, e claro, que acompanhava com um tinto do Douro. Terminei a refeição com un(s) papo(s) de anjo. Sublime! Ahh, bem molhado naquela calda de açúcar...




Está bem, eu confesso! Comi o papo de anjo antes da refeição... e se calhar foi por isso que as Tripas me souberam tão bem! Estava cá com uma fomeca!



segunda-feira, 26 de maio de 2014

Por mares (nunca) antes navegados!


Ao perto, os sinos de S. Francisco badalavam o meio-dia enquanto ela lhe cravava as unhas como uma cadela que esgaravata a terra depois de urinar, e de olhos esbugalhados, pousados no tecto, sentia as primeiras contracções violentas, que lhe rasgavam o corpo e lhe esboçavam um sorriso eucarístico de satisfação. Ele, que sentira a seda contráctil da sua vagina, seguiu o compasso, e na abóbada do seu corpo, a cada estocada, semeava a substância do pénis, rugindo, e no seu peito desfalecendo até recuperar o fôlego...

Nas ruas o movimento era fraco, o povo nos seus comuns hábitos domingueiros, ía esquecendo o dever, ía prorrogando a miséria, e aquecido pelo sol brando, seguia pelos caminhos estreitos e pouco anafados de uma vida que se esvaía.

Ela procurava-lhe de novo o sexo, esquadrinhando-o. Ele sorria de olhos fechado e indagava se ela iria desistir, ou quando o faria. Ao que ela singelamente respondia, na alegria do corpo quente: não enquanto te mantiveres intrépido!



(texto reaproveitado Daqui)


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Esta noite tive um sonho...



Mas não vos conto, foi tão desenxabido que não me cabe o descontentamento, fico-me até a pensar se não estarei a perder qualidades, mas enfim, a vida continua e hoje, só porque é sexta-feira, venho cá deixar um alento ao meu contratado. O rapaz tem andado atarefado entre exames e coisas da vida de um estudante, de modos que meteu baixa! ( estou fodido! ) Mas vá, é por uma boa causa, é pelo seu futuro académico, de maneira que relevo e incentivo.

Rafael, 
O estudo rotineiro e diário é meio caminho andado para o sucesso escolar. Durante as horas de estudo devemos nos concentrar, nos livrar de tudo o que à nossa volta nos possa distrair, intervalar o estudo, prestar atenção aos detalhes, que muitas vezes são bem mais importantes do que o grosso modo das instruções, e nos focar unicamente nos calhamaços. 



Por exemplo, na imagem acima postada, reparaste em tudo? em tudo mesmo? Hummm, aposto que te falhou ali um pormenor, de certeza que te perdeste a tentar perceber qual era a marca da máquina, engraçaste com os contrastes, com os cinzas e tal, mas, e os tornozelos da dama, reparaste nisso por acaso??!!
Sócio, concentradissimo, pá!

Bom fim de semana, gente!



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Uma vez, no Far West...


Esta noite tive um sonho esquisito como o catano! Sonhei que tinha uma casa com alpendre, do género casa na pradaria. Sempre quis ter uma casa assim... E então, de manhã acordava, saía ao alpendre, pegava na minha cadeira, colocava-a ao centro, na descida das escadas que davam para o jardim, e sentava-me com a caçadeira na mão, recostando-me. E quando digo caçadeira, refiro-me mesmo a uma arma de fogo e não aquilo que essas mentes perniciosas estarão a pensar. Não pensaram? Eu pensei!

E então, ficava ali à espera que os coelhos bravos que povoavam o sítio começassem a saltitar. Fazia mira e puummm! 
   - Queriiiiiidaaaaaaaa! 
   - Sim, amor?!
   - Anda cá buscar o almoço, hoje quero coelho à caçador.
   - Ohhh, outra vez coelho? Sempre coelho, só coelho, não sabes pedir outra coisa. 
   - Que queres, caralho? Só há coelhos por aqui, não tenho culpa. Mas vá, hoje estás com sorte, hoje é lebre! Siga, toca a tratar do bichinho. É grande, já viste?! 
E lá ía ela a arrastar o chinelo e a abanar a anca, e onde, imaginava eu, que por debaixo do vestido, nada mais trazia. E com o sol matinal a bater-me, lá começava eu a ficar bruto... Olhava no horizonte, voltava a pegar na caçadeira, e puummm, logo à noite é assado no forno, pensava eu. 
   - Queriiiidaaaaa!
   - Sim, amor?!
Respondia-me sempre com a mesma cadência de voz. Tinha cá uma paciência para mim....
   - Anda cá fazer-me uma festinha...
   - Ohhh, agora?! Agora não posso, estou ocupada, espera! Sempre a chamar, sempre a pedir, sempre a reclamar, sempre... e eu deixava de a ouvir, embora ela continuasse a falar e a protestar.

Os homens têm uma capacidade quase desmedida para ouvir os protestos das mulheres.... nhanhanha, nhanhanha... e nós, com um sorriso nos lábios... nhanhanha, nhanhanha... e nós, indiferentes ao seu tom de voz histérico e descontrolado... nhanhanha, nhanhanha... e a dada altura temos também a capacidade de nos abstrairmos e sair dali, ainda que nós e ela, ali permaneçamos. 

Mas eu, hoje, fiquei. Não saí, não vagueei, não viajei, não fui dar uma volta e fiquei. Eu, hoje, ou talvez até ontem, fartei-me de a ouvir e hoje, matei-a! Matei-a! Ainda que ela por aí ande, eu matei-a e morreu-me nas mãos, nos dedos, nas palavras... Cansei-me de a ouvir, esgotei-me nas suas demências, esvaziei-me das suas dúvidas, e no limite da minha paciência, matei-a!E assim já não a ouço, ainda que ela por aí ande, pode falar o que quiser, protestar, questionar, insultar, contrariar, porque eu já não a ouço...







   - Queriiiiidaaa! ( esta é a do sonho)
   Vens ou não vens fazer-me uma festinha??!!


...




terça-feira, 20 de maio de 2014

Fui Eu Quem Chegou


Vem uma pessoa de ler Saramago e parece que acaba assim com umas bexigas na cabeça, umas metástases esquisitas agarradas ao sebo dos sonhos, uns derrames de humores próprios que saem nas devidas alturas dos devidos lugares, com as devidas missões, que nem sempre, não se reunindo as condições devidas, resulta nos devidos fins, nas finalidades a que foram, divina e devidamente, incumbidos, sabe alguém quais, quem, porquê.

Vem o Rafael de ler Saramago e acaba pior… «o mundo de cada um é os olhos que tem», marcou-me no Memorial, marcou-me na vida. É uma frase bonita, não fossem os meus olhos ter a mania de ser copiosos daquilo que leem, não fosse a minha mania a de guardar em mim todas as vontades que Blimunda recolhia para as esferas, e não estaria agora, nesta espécie de neo-modernismo sem grandes veracidades, discorrendo torrentes de frases que não dizem coisa alguma.

Tivesse eu nascido numa aldeia e, de todos os rapazes, seria o bicho mais estranho, aquele que brinca sozinho a coisas sem piada, aquele que tem mas mundos na cabeça que o Universo na realidade. Seria aquele gajo que voava na trotineta, pelos caminhos de terra batida; aquele miúdo que dançava em círculos infinitos debaixo da lua cheia de agosto; aquele que saltava para cima das folhas do Outono castanho; aquele que parava, no tempo, na vida, no espaço, debaixo da chuva fria de novembro. Tivesse eu nascido numa aldeia e nada de mim era eu.

Porém, não nasci. Quiseram as coisas que mandam nisso que eu nascesse na terra menos aldeia que Portugal conhece. Nasci, há já dezanove anos, numa vila de Cascais que já não conheço. Chamo-me Rafael e sou a mais recente contratação do Zé.

Não sou do Norte. Não sendo do Norte falta-me a brejeirice que alguns procuram. Falta-me o sotaque, o vocabulário e a verborreia; falta-me a alegria de ser portuense, a nostalgia de viver nos vales do Douro, entre a Régua e Resende; entre os rios, as Cidades e as Serras.

Não se pense, contudo, que vivi muito em Cascais… Essa terra foi onde respirei os primeiros ares, vi as primeiras cores, ouvi as primeiras palavras… Nada disto conta naquilo que sou, porque não foi em Portugal que me fiz Rafael.

Inglaterra, foi lá que me construí, desconstruí e guardei os cacos que agora vou desempacotando, em páginas de tudo, de nada, de coisa nenhuma. Páginas brancas, borradas pelas lágrimas que derramaram sobre elas. Páginas caladas, que não dizem nada.

Vim de uma pequena cidade no nordeste de Inglaterra há dois anos, foi quando aterrei na Portela que renasci, revi a minha posição no mundo e cresci. Desde então vou escrevendo o que nunca disse.

E agora que o Zé foi dar uma volta, aqui fico, qual fiel depositário mor desta obra de Vontades e esforços megalómanos, em jeito de Convento memorável, aterrado no alto da Vela, num confim qualquer da Internet, escondido debaixo de vimes e moitas secas.

«Outro valor mais alto se alevanta» - o Camões o disse, a prática o demonstra. Mas que obra mais valerosa existirá que o Dear Zé? Muitas, é provável, mas para mim, fiel e pobre Egas Moniz, qualquer condado se assemelha a Estado grandioso.

Prometo não exagerar das próximas vezes que aqui escrever, afinal, quem é que está para ler 600 palavras aqui, num blogue abandonado pelo Criador, deixado a um Messias ou usurpador (depende do gosto)?



Vem uma pessoa de ler Saramago e acaba assim, com vontade de não parar de ler. Vem o Rafael de ler Saramago quando encontra o Zé abrindo as portas…

Vá lá, dêem as boas-vindas!





Após uma longa, séria e exaustiva fase de negociações, eis que chegamos ao fim e à realização do contrato.
Dear Zé tem um assalariado. A ver vamos se é meramente um colaborador ou será efectivamente um trabalhador, sendo que o colaborador é aquele que colabora, e o trabalhador é aquele que trabalha. É, portanto, uma questão de português e de serviço, se é que me faço entender.

Aproveitando a época de campanha eleitoral, fez a sua:
- diz que gosta de voluntariado, tal como o Zé, e que gosta de fazer coisas diferentes como salvar blogues moribundos...
- diz que gosta de escrever, tal como o Zé, considera-se neo-modernista, e que no meio de pensamentos polutos e ideias loucas, vai largando as suas demências literárias. É bem pior do que eu, caralho...
- diz que adora imagem, tal como o Zé, e que se dedica à fotografia. 
- diz que tem uma vontade de prosperar na blogosfera e que, portanto, na sua demência, pois só alguém num estado tresloucado pensa assim, acha que o Dear Zé é um bom meio para medrar. 
- diz que é bom rapaz, ou que gosta de pensar que é, diz que tem charme e carisma, mas isto, meninas, só cá para nós, é mesmo campanha eleitoral!
- e, por fim, diz que se compromete a cumprir todos os requisitos exigidos pelo Zé.

Não tendo sido atirada moeda ao ar ou manuseado qualquer outro artefacto para escolher o candidato, ele convenceu-me pelos argumentos, pela sua escrita, pelo sangue novo que lhe corre, e pelo potencial estímulo que me dará para aqui continuar.

Meus senhores, dêem uns calduços aqui ao puto, como forma de o praxar!

Meninas, eu sei que estão ansiosas, em pulgas, com as borboletas na barriga e sabe-se lá mais o quê... vá,  venham lá dar um beijinho ao Rafael Souza, o puto novo, aqui do Dear Zé!

Vá, não se estiquem que eu estou mesmo aqui a ver-vos! Atenção aí aos abraços! Calma! Calma! Uma de cada vez... oh, oh pra isto, já nem ouvem o que lhes digo... assim sendo, até um dia...






segunda-feira, 19 de maio de 2014

Regista e guarda! (2)


Acho piada aqueles gajos que, em modo macho latino, quando encontram a namorada, a amante, a amiga, ou como quer que a nomeiem, a falar com um gajo, dizem qualquer coisa no género: olha, logo à noite começas tu a fazer o jantar? Uma forma parola e machista de dizer que a andam a comer e que está reservado... entre outras frases e atitudes, claro.

Não sei, mas tenho para mim que ela, não é ele, o outro, é ela, se quiser foder com outro, fá-lo, independentemente do moinante ter dado a mija na parede, ou não! Certo?!!!