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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Uma noite sossegada



Solidão é um café e televisão até tarde.
Solidão é um chá de ervas e música suave.
Solidão é abrir o pc e lembrarmos-nos de que alguém nos chateia, e chateia por ser insistente, não propriamente por aborrecer, que são coisas distintas, e uma, e outra, e mais uma quantas vezes nos diz: podias escrever mais... blá blá blá blá... gosto de quando escreves... blá blá blá blá... e sorrimos e pensamos que apenas no silêncio da noite , na solidão, podemos ouvir a verdade dos nossos pensamentos... blá blá blá volta de novo à lembrança e ao fim e ao cabo concluímos que se calhar, por mais que evitemos, por mais fujamos, há coisas, há pessoas que acabam por nos entrar pela vida dentro, sem que nos permitíssemos pensar primeiro se era o que pretendíamos...

O Benjamim escreveu: as três coisas mais difíceis do mundo são: guardar um segredo, perdoar uma ofensa e aproveitar o tempo. Eu tenho uma dificuldade particular nesta última, daí que, não tendo ainda enraizado esta coisa virtual, há sempre outras ocupações que sobreponho e prefiro.
Talvez um dia o faça, quando deixar de gostar tanto de café, televisão, chá e música.

E agora, abram alas à melancolia e apreciem Pat Metheny, Song For The Boys



terça-feira, 8 de outubro de 2013

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O dia! O dia...



Então é assim: o dia esteve esmorecido. O dia! Atenção, foi o dia!
Um gajo cá se vai aguentando. Dias melhores, dias piores, pronto, nada de especial.

Sentei-me em frente ao monitor na expectativa de que me saísse pelos dedos algumas palavras menos sérias e mais estimulantes às hormonas. O dia continuava esmorecido. O dia! O dia...

Fui ver gajas na net. Aqui pelo trabalho vai uma miséria, até isso nos tiram, e a única que valia uns momentos a sós de consolo, era Luísa, mas já nem essa ordinária por cá pára. Vi gajas nuas, semi-nuas, o mesmo de sempre. E o dia ainda esmorecido. O dia, já disse!

Mudei de links e de vistas, afinal de contas o dia ia esmorecido e as palavras continuavam murchas. As palavras! As palavras, minha gente! Paisagens, gente (vestida), animais, textos, coisas e já quase em desespero de causa, e com uma sensação de derrota, eis que surge uma imagem.

Diz que as imagens valem por palavras. Ainda não encontrei uma suficientemente grandiosa para aqui colocar que não carecesse de palavras, e tal como as gajas tenho sempre algo a dizer. 
Assim sendo, e todo eu em combustão, porque o dia, o dia, senhores, o dia foi murcho, primeiro mostro:





E  depois legendo com isto:
Tenho um lombo de porco todo à maneira que a Dª Arlete me deixou já pronto a meter ao forno, é só virar e regar quando necessário. Acompanha com batatinha nova, uma salada de legumes e tinto da Ermelinda. Está a ficar tostadinho e cheira bem. Não tarda muito (marcámos para as 21:15horas), ela entra-me por ai adentro. Tenho a mesa posta na sala, ouço isto, e o mais certo é que mantenha ( sim ouço isto, não sei, mas não estou doente, não pensem ). 
Mas a dúvida permanece, comemos primeiro e fodo-a a seguir, ou damos já cabo da mesa, e jantamos nus, com um sorriso idiota de satisfação chapado no rosto, na mesa da cozinha, que sempre estará mais arrumada?!






quarta-feira, 5 de junho de 2013

Sei que nunca terei o que procuro...






"Sei que nunca terei o que procuro
E que nem sei buscar o que desejo,
Mas busco, inconsciente, no silêncio escuro
E pasmo do que sei que não almejo."

Fernando Pessoa




A ouvir




quinta-feira, 21 de março de 2013

Soneto da Donzela Ansiosa







Arreitada donzela em fofo leito,
Deixando erguer a virginal camisa,
Sobre as roliças coxas se divisa
Entre sombras subtis pachocho estreito.

De louro pêlo um círculo imperfeito
Os papudos beicinhos lhe matiza;
E a branca crica nacarada e lisa,
Em pingos verte alvo licor desfeito.

A voraz porra, as guelras encrespando,
Arruma a focinheira, e entre gemidos
A moça treme, os olhos requebrando.

Como é inda boçal, perde os sentidos;
Porém vai com tal ânsia trabalhando,
Que os homens é que vêm a ser fodidos. 

Manuel Maria Barbosa du Bocage