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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Lá fora na rua...


Lá do alto conseguia ver-se toda a povoação. Era um fim de tarde, a esbarrar a noite. Ao fundo, por detrás dos montes, o sol deitava-se, imponente, e pintava o céu numa mistela de cores de fogo, contracenando com o azul forte e já escurecido da noite que chegava. Era um azul de mar, do mesmo onde o sol se ia juntar, lá longe.
À volta das árvores, a passarada juntava-se quase que em motim, e o barulho era  ensurdecedor.

Subiu as escadas e sentou-se na varanda, dali conseguia sentir-se o calor que vinha da terra. Detrás da casa, vinha o som dos grilos, das cigarras, das rãs e toda a espécie de bicharada sonante. Quando era pequeno, por esta altura, já tinha feito o seu bunker na cave, e era por esta hora, ao fim da tarde, que os caçava... gri gri, gri gri a tua casa não é aqui... e escarafunchava com uma palheta de centeio para que o condómino saísse...Farejou no ar o cheiro dos paus das videiras e das giestas secas a queimar, e via mentalmente o brasido que iria grelhar a carne de vitelo que a Dª Aninhas mandara, para que provasse.

Lá dentro, ela tomava um duche. E, enquanto isso, ele pensava no que fazer: se ía já para dentro e lhe esfregava as costas, seguia caminho até às ancas, circulava as nádegas,  voltava para trás, contornava-lhe os mamilos ensaboados, e numa descida rápida, lhe enxaguava o cabelo, vá, é um exagero, os pelitos da púbis... ou então, se, por outro lado, aguardava que ela saísse do banho, se vestisse, se perfumasse, e se penteasse, para depois, na sofreguidão dos seus movimentos, a voltar a despir. Lhe tirasse o vestido, a voltasse de costas para si e a deixasse apoiar as mãos na colcha de linho. Lhe afastasse a cueca, e deixasse escorregar um dedo, talvez dois e .... e as brasas, ai as brasas que esmorecem...!

Ainda dizem que a vida no campo é calma, sem stress, sem canseiras, sem problemas! É uma consumição, vocês sabem lá...! 
Bem sei que os há, talvez ainda deitados na espreguiçadeira, vermelhos que nem camarões, que aguardam que o peixe morda o isco... bem sei..
Mas, eu, por mim, aqui bem longe do mar, das luzes, por detrás dos montes e lá para os lados onde, em tempos pré-históricos, dizem que deixaram umas pinceladas e umas gravuras, eu esfrego-lhe as costas, as ancas...and so on, and so on, depois corro a deitar mais umas achas na fogueira, e volto para lhe tirar o vestido, fazê-la dobrar-se sobre a cama... and so on, and so on...





E as brasas???! ai as brasas....




terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Lá fora na rua...


      Estava um vendaval. As pessoas, assustadas, refugiavam-se onde podiam. Os pássaros voavam desnorteados e empurrados pelo vento. Papeis, folhas de árvore e limalha enchiam o ar e afugentavam os passantes. Ela correu até à entrada do edifício, e ajeitando o cabelo emaranhado, tocou à campainha. Do outro lado ouviu-se levantar o auscultador e um "Sim" seguido pelo ranger do automatismo que abria a porta. Ela sorriu e ainda de volta do cabelo, respondeu que estava já a subir.

      Lá dentro, ele segurava a porta, com o rosto nela encostado. O tlim do elevador ouviu-se e a porta abriu, mas ninguém saiu e, passados segundos, voltou a fechar-se. Ele franziu o sobrolho e esperou. Nada. Esperou. Nada. Esperou. Nada. Esperou. Nada. Esperou. Nada... perdão, hoje estou em modo vinil e agulha já está gasta. Mais uma despesa!! A porta do elevador abriu e tinha o 6º andar marcado. Ora foda-se, pensou ele. Não vou! Da última vez, a gaja deixou-me pendurado com a cadela e nunca mais apareceu. O Mr, que vá lá, porque eu não tenho paciência para tamanho secretismo. Mas... mas onde se terá ela metido? Terá ido para o sexto andar? Estarão juntas? Deverei subir? Será que me esperam? As duas!!! Vou buscar o leitão, uma garrafa de espumante e petiscamos. E ao voltar-se deu de caras com ela. A guedelhuda, não a do 6º andar. Onde estavas? Ela sorriu-lhe com ar enigmático e puxou-o para dentro. Ele ficou pensativo e intrigado, mas entraram sem mais porquês.

      Lá fora, a maralha aguardava ansiosamente pelo desenvolver da história. Sexo, mistério, drama, terror, romance, comédia, qual seria o enredo? Bom, caso não tenham ainda reparado, também eu gostava de saber, de outro modo não teria feito este parênteses.
Drama, drama, diziam algumas meninas. Não, suspense, pedia o R. Podias fazer um musical, sugeria a Estrela. Romance! Faz um romance, pedinchava a Solana, pestanejando. Calem-se, que eu agora vou dizer os números do Euromilhões, barafustava a Pseudo. Sexo... hmmm... Sexo... SEXOOOO... dizia a minha camionista, por entre gemidos e arrulhos. Não, não, não! Se é guerra que seja um épico: suga a energia do exército adversário e arranca o coração dos seus generais! Rugia o Primaço. Calma, com licença, desculpem, afastem-se que eu tenho que fotografar o momento, ordenava a RT,  e eu ponho a música, rematava o Mr, pode ser este mix, mas começa ao minuto 1:00:32, e depois é que começa do início.
Os restantes, aqueles que não referi, bem sei que estavam todos ao lado da nAninha, bem sei que ela tem aquele ar frágil, doce, mas move milhões! Ok, são apenas centenas, nada de exageros, sua convencida! ... mas eu, por mim, que sou um gajo tímido, vou-me para um épico. Família é família! Preparem-se meninas! Recostem-se e apreciem.

      Outra vez lá para dentro, pois já disse que está muito vento.
De joelhos, aos pés da cama, ele agarrou-lhe pelos tornozelos e puxou-a até junto dele, deixando com a pernas flectidas e abertas. Shiuuu... pediu ele, enquanto lhe passava a mão sobre a rara penugem da púbis. Acariciou-a desenhando cornucópias com a ponta dos dedos e afastando ainda mais as pernas beijou-a. A púbis. Beijou as coxas até aos pés e subiu de novo, mas pela parte de dentro, até às coxas, outra vez. Devagar e cuidadosamente, afastou-lhe as bordas. Vá, minha gente, não reclamem! Adoro esta palavra! As bordas da cona! é sexo puro! Os lábios vaginais, faz logo parecer que se está a ler um documentário ginecologista. São as bordas e pronto, afinal de contas eu sou o realizador, o produtor, o guionista e tudo o resto, vocês só lêem!
Afastou-lhe as bordas e viu escorrer por entre elas aquele líquido algo viscoso, algo consistente e algo saboroso, com um leve sabor adocicado. Afastou-as com os dedos e com a ponta da língua, alcançou-as. De imediato começou a dança inebriada com a língua, mantendo-as abertas com a ajuda dos dedos.
Beijou de novo as coxas e fez-lhe entrar um dedo, depois dois, e saíram ambos molhados. Entravam e saíam, embalados pelo movimento de vai-vém da sua pélvis. Denotando alguma frouxidão, atacou de novo, de novo com a língua e lábios e dentes, lambendo, beijando e mordendo, de modo aleatório... mordendo o coração que haveria de ser literariamente e literalmente arrancado.
Subitamente, levantou-se. Levantou-a, puxando-lhe pelos braços. Voltou-a de costas para si e, empurrando-lhe as costas, baixou-lhe a cabeça sobre a cama, deixando o rabo empinado. De novo de joelhos, metendo-lhe os braços por debaixo das pernas,  pelas virilhas, pousando as mãos sobre as ancas, enfiou a cara entre as pernas e lambeu-lhe as bordas, lambeu o clitóris até ao ânus e ziguezagueou a língua neste percurso.
Claro está, que ela mexeu, remexeu e tentou soltar-se, e gemeu, e pediu, e suplicou, e ameaçou, e aquele banzé todo que elas fazem, mas fixando-se no objectivo e no clitóris, que é o "coração" delas, ele, com a língua, a entrar por ela dentro, e os dedos, a friccionarem o dito, com mais força e mais rapidez e força e rapidez  e força e rapidez, e a língua e os dedos com força e rapidez... sentiu as pernas delas a fraquejarem, o corpo a deixar-se cair, os uivos, a contracção das coxas, e por fim aquele líquido, bem viscoso, a escorrer-lhe por entre as bordas, e o clitóris latejante a palpitar, tal como um coração!
Meigamente, beijou-a ( a passarinha desfalecida ), lambeu-a, humedeceu os lábios e disse: Huummmm... claro está que não tem que se dizer "hum", mas eu digo sempre. E mergulho lá de novo,  percebem??!

      Lá fora na rua, a noite cobria a cidade. Chovera e o vento amainara. A caminho do supermercado ele revia mentalmente as compras a fazer, e lembrava: leite, cereais, arroz, espuma de barbear, e bolachas... oreo, huuummm... ahh, e talvez um video-chamada no skype pela noite dentro.

Boa noite a todos. Espero que tenham apreciado, meninas. Cavalheiros... é por ali, pelo "coração" que se suga a energia do adversário.







segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Lá fora na rua...



      O movimento era o de sempre: mais nuvem, menos nuvem, alguma gente, mais gente, tanto barulho, pouco barulho, bastantes carros, não muitos carros... a mesma merda de sempre! Pensava ela, lá dentro, ao tempo que atirava pela janela a beata de cigarro mirrada. Foi até à cozinha onde as panelas já fervilhavam e espalhavam o cheiro a comida por toda a casa. O aspecto da divisão assemelhava-se ao da passagem de um pequeno Katrina, embora limpo, estava tudo desorganizadoramente desarrumado. Contudo, como qualquer mulher com a sua mala, ela encontrava qualquer coisa em três tempos, e rapidamente pegou numa grande colher de pau, duma madeira amarelada e gasta, mais pelo tempo do que pelo uso, levantou o testo de uma panela, afundou-a e emergiu-a, levando-a à boca. 

Provou e fez uma expressão de nojo: raios de homem que tanto gosta de bacalhau, pensou ela. Bacalhau assado, bacalhau frito, bacalhau com natas, bacalhau desfiado, bacalhau gratinado, bacalhau à braz, bacalhau com cebolada, bacalhau com puré, pastéis de bacalhau, pataniscas de bacalhau, uma infinidade de maneiras de o cozinhar, mas sempre bacalhau, e hoje, era cozido. Fosse ele pesca-lo e por lá ficasse... malvado!, cismava ela, enquanto punha outro cigarro entre os lábios. Puxou fortemente o fumo do cigarro, inspirando, e, encostando-se à bancada, ficou alheada a olha-lo. Preciso de deixar este vício, e franzia o sobrolho, pois das duas, uma, é ele que me mata, e erguia uma sobrancelha, ou é aquela besta, que daqui a nada terei sentado à mesa, com os cantos da boca besuntados de azeite, e um hálito medonho a alho, e piscava um olho. Um dia... um dia, deixo... e, levou a mão ao canto da boca, nela aninhando o cigarro, enquanto, com destreza e um ar algo concentrado, espetava o garfo  numa batata, verificando a cozedura.

Por essa altura soou a campainha. Raios, que o homem hoje chegou mais cedo, e já me vai moer o juízo, bateu a língua contra o céu da boca emitindo o som dum estalo, mas ainda não está na hora!, pensou, espantada. Com o passo acelerado, e limpando as mãos ao avental cintado ao corpo, foi até à porta e abriu-a. Bom dia, sou o Quim, o seu marido mandou-me cá para lhe arranjar a máquina de lavar roupa, diz que faz muito barulho ao torcer. Posso entrar? é que tenho ainda outro serviço antes das duas, vá lá Dona, tenho que me despachar. De volta à entrada da porta, de onde, por segundos, se tinha ausentado no seu imaginário, concordou, acenando a cabeça e encaminhou o homem até à cozinha.

O rapaz, jovem, por sinal, bem parecido e fisicamente bem constituído, sabia lá ela porquê, rapidamente mexeu nos botões da máquina, puxou-a e examinou-lhe a parte de trás. Enquanto isso, ela, encostada à mesa, mordiscando o polegar, procedia à análise atenta e detalhada do corpo do rapaz. Será que ele gosta de bacalhau? Será que lhe incomoda, como a mim, este cheiro? Deve ser vigoroso. Tem umas mãos bonitas, imagino o que não fará com elas. A roupa é assim a fugir para o azeiteiro, mas para o que seria, nem faz mal. Podia agarrar-me já aqui em cima da mesa e foder-me. Metia-me os dedos, daquelas lindas mãos, e só assim, eu vinha-me logo... És tão parva, mulher! Olha mas é a hora. Ainda por cima é um moço, repara lá em ti! Dona! Está a ouvir, Dona?! Perguntava o rapaz, que entretanto já se tinha levantado e, em frente a ela, fazia o relatório da avaria. Sim, sim. Estou a ouvir. Continue. Portanto, é isso, depende se tiver as peças, e se não, depende do tempo que a casa demora a arranja-las. Ainda por cima estou cheio de trabalho. entende Dona? O mais certo é ficar pronta apenas no fim da próxima semana. Credo! Nem por sonhos, não posso ficar tantos dias sem a máquina e a lavar roupa à mão! Leva-a hoje e entrega-ma amanhã. Disse-lhe sorrindo com um ar matreiro e piscando-lhe o olho. Ó Dona, nem pense nisso! Tenho outros serviços à frente, só cá vim porque o seu homem me chateou. Retorquiu-lhe ele, arqueando as sobrancelhas, apoiando as mãos por detrás das costas, sobre a bancada, e observando-a de cima a baixo. Sentindo o olhar atento e interessado do rapaz, ela rodou sobre a mesa, a fim de alcançar o telemóvel que estava na outra ponta, empinando o rabo. Ele, inspirou fundo, passou a palma da mão aberta pela cara, esfregando-a e quando a mirou de novo, ele empunhava o telemóvel, e com uma mão sobre a anca, argumentava, tentando convencê-lo a executar o serviço.

Ao que parecia, as divagações acerca do rapaz não teriam sido assim tão imbecis, cada vez mais levava a crer que o tesão era recíproco, e agora, os olhares trocados confirmavam o esconso desejo que lhes assoberbava os corpos. Plantada junto à mesa, sentia os mamilos endurecem, sentia o olhar dele a vê-los enrijecerem por debaixo da camisa, sentia uma torrente de calor por entre as pernas num ritmo descompassado de curtas e doridas palpitações, e numa derradeira tentativa para o convencer ao conserto da máquina, e encerrando o assunto por forma a que passassem de imediato à consumação da atracção, sentando-se, com a ajuda das mãos, sobre a mesa, disse-lhe desafiadoramente: tem a certeza de que não há forma de contornamos isso? Dona, bafejou ele em rouquidão, tenho a certeza de que podemos resolver isto da melhor maneira para ambos, e passou a mão sobre o membro grosso e proeminente sob a ganga gasta das calças, e que dando um jeitinho, e fazendo um esforço, até posso entregar-lhe a máquina hoje, ao fim do dia. Ela sorriu de orelha a orelha, ergueu a cabeça para trás, levou as mãos à cintura desapertando o avental, e deixou cair o corpo sobre os cotovelos, abrindo-lhe as pernas. Então faça lá o que tem a fazer, comandou-lhe ela, gargalhando.

Como um animal sedento, ele atirou-se sobre o seu peito, puxou-lhe a camisa para cima e encheu a boca com um dos seios, enquanto, com a mão, lhe molestava o outro. Trocou, e mais avidamente beijou-os. Sentiu-lhes o toque, o tamanho e a forma. Cheirou-os e com a boca, língua e dentes neles chafurdou. Ela gemia e contorcia-se sobre a mesa. Molhou-lhe os lábios nos seus, e afundou-lhe a língua na boca, e como uma serpente na água, ziguezagueou-a enquanto roçava o pénis duro contra ela. À medida que a afagava, despia-a, desajeitadamente. Ela levantou a cabeça, querendo ver-lhe as mãos... a água vertia pelas panelas e incendiava a chama do fogão. O exaustor ruía e o fumo intenso escapava ao aspirar do aparelho. Não era muito hábil, os tremores eram notórios, mas ainda assim, o toque, esse era majestoso, tal como ela pensara assim que as vira... aquelas lindas mãos. E com elas penetrou-lhe as coxas, ajustando-as ao seu corpo, levou dois dedos à boca dela e enterrou-os, impelindo-a a chupa-los. Chapou a palma da mão contra a púbis, remexendo o emaranhado de pêlos não muito fartos e alcançou-lhe os lábios molhados do sexo. Ela agitou-se arrastando um gemido. Fedia a bacalhau. Aquele que na panela fervilhava. Aquele que o homem comeria à mesa, onde o Quim, o homem que o marido enviara com o propósito de arranjar a máquina, naquele momento sacudia as crinas do cabelo forte e escuro, e fechava os olhos ao mesmo tempo que sentia o malho a adensar-se, e penetrava as pregas do soalho pélvico da sua mulher e os dedos encharcados pela sua vagina, na boca, fazendo-a provar-se.

Ao perto, os sinos de S. Francisco badalavam o meio-dia enquanto ela lhe cravava as unhas como uma cadela que esgaravata a terra depois de urinar, e de olhos esbugalhados no tecto, sentia as primeiras contracções lentas, e ainda que efémeras, lhe esboçavam nos lábios um sorriso eucarístico de satisfação pelo orgasmo. Bem próximo, numa expressão pesada e de pálpebras cerradas, ele, que sentira a seda contráctil da sua vagina, seguia o compasso e na abóbada do seu corpo, semeava, a cada estocada, a substância ácida do pénis, rugindo, e no seu peito desfalecendo até recuperar o fôlego.

Vestindo-se sem demora, ordenou que levasse então a máquina. Para hoje não me faz falta, disse ela, arranjando o cabelo, ai a porra do bacalhau que já deve estar desfeito, carai! E foi até ao fogão, desligando-o. Também, tanto faz, diz sempre que está uma merda, merda por merda, come o que lhe ponho na mesa. Vá lá, despache-se e saia daqui que ele deve estar a chegar. Amanhã, pela manhã, uma hora mais cedo, venha. Pode ser?, questionou sorrindo com olhos de rogo e ardência no corpo. Pode, Dona. A Dona só manda. Amanhã cá estarei, uma hora mais cedo, informou com um ar maroto, enquanto afagava o mangalho. Vá, vá!, empurrava-o ela, pela porta fora. Ele parou de frente dela e num olhar sério e ansioso, disse: Espero que a tenha agradado, Dona. Bem sei que se tivesse a figura do cônsul do prédio da frente, teria outro encanto... o gabinete, o tampo da secretária, a fatiota... mas garanto-lhe que não perdeu o dia, Dona. Piscou o olho e saiu, para seguir caminho.






quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Lá fora na rua...



      É noite. De cigarro entre os dedos, observa com lentidão o imenso céu escuro carregado de estrelas. Pensa que é uma estupidez, um raciocínio infantil, mas a verdade é que, ali, longe de tudo, aprisionado livremente entre montes, a escuridão era aclarada pelas estrelas. A rara luz artificial fazia com que o céu escurecesse e que, por sua vez, as estrelas, quase todas elas, se vissem. Isto para não falar da infinidade de sons que se sentiam, alguns deles até seus desconhecidos, mas gostava francamente daquela combinação de cores e sons, que, na cidade, era incapaz de ter.
Apagou o cigarro e chinelou até ao quarto.

      Lá dentro, encontrou-a deitada na cama, a dormir. Tranquila. O corpo despido. Os membros estirados. Os cabelos enrolados à volta do pescoço. Sentou-se junto a ela, procurando-lhe a carne. Tocou-lhe num seio tombado sobre o colchão e torneou-o. Continuava tranquila. Contornou-lhe com o indicador os lábios e o nariz franziu em jeito de protesto pela interrupção do sono.
Pegou no copo sobre a mesa de cabeceira e deu um gole, molhando a boca e humedecendo as goelas. Deitou-se a seu lado, a fome aumentou e subiu-lhe pelas pernas até ao pénis, fazendo-o crescer, e de olhos fechados, adivinhou-lhe a silhueta, para logo de seguida, com a mão, lhe percorrer as coxas.
Com o indicador procurou-lhe a púbis. O corpo dela mexeu, ondulando, e com um gemido pouco pronunciado e rouco, afastou as pernas.
Rapidamente lhe alcançou a seda da vagina húmida, gorda de intumescida, e ansiosa. Nela refrescou os dedos e tacteou as pregas do ânus, para ai mergulhar.

      Na rua, ao silêncio ensurdecedor do som dos animais da noite, juntava-se agora o do concerto de gemidos, enquanto ela, de pernas enroladas nele, o fazia sacudir as ancas, ao tempo que lhe depositava na vagina a paixão pelo seu corpo.




sexta-feira, 12 de julho de 2013

Lá fora na rua...



      Os barulhos estavam guardados nas casas. Era hora de jantar.
Aqui e além uma carro passava; um cão ladrava; uma lambreta dava gás e apenas insistentemente os pássaros chilreavam.

      Enquanto isso ele acabara de chegar a casa, pousara as chaves no móvel da entrada,  juntamente com o saco de pão quente, e a passos apressados mergulhara no sofá. Após segundos com a cara enfiada nos assentos estofados a pele, voltou-se, fixou o olhar no tecto, sorriu, olhou o relógio e num repente levantou-se. Durante o dia, por várias vezes, ocupara os pensamentos nela. Não sabia porquê. Era inusitado aquele sentimento que o fazia procurar o desconhecido, mas o facto é que não era a primeira vez que acontecia e mais uma vez, lembrava a intrigante frase: "Cuidado Mr. Zé. Nunca desejes a vizinha do 6º esquerdo. Entre a voluptuosidade esconde um segredo para o qual não estás preparado."
Ao entrar no prédio, depois de ter ido comprar o pão, tinha reparado que as janelas do andar misterioso estavam abertas, e de novo a vizinha lhe assoberbara as ideias. Naqueles breves segundos, deitado no sofá, decidira que lhe ia tocar à campainha. Para o bem ou para o mal, estava decidido.

Foi ao espelho do quarto, observou-se, arranjou o cabelo farto com os dedos, alisou a camisa, endireitou as dobras nas mangas e perfumou-se. Deu um novo olhar de revés, sorriu e pensou, piscando o olho: não te resiste Zé, convencido do caralho. E saiu porta fora.
No elevador, a ansiedade apertava-lhe e secava-lhe a garganta. Nunca mais chegava...
A porta abriu e resoluto caminhou em direcção à entrada e tocou à campainha. Aguardou. Um silêncio absoluto apoderou-se do andar. Voltou a tocar. Levou as mãos aos bolsos e aconchegou o seu mais que tudo. Sentiu um formigueiro nervoso por todo o corpo. Raios! Raios! Raios, logo hoje que me decidi e ela não está! E se tem homem? E se é ele que vem à porta? E se... um trinque ouviu-se e a porta abriu devagar. Uma mulher alta, loira e de olhos azuis balbuciou algumas palavras que ele não percebeu. Tentando emendar o imperceptível, perguntou:
   - A senhora, está?
   - Sinhora, sim, está. Quem falar?
Era claramente de Leste, não apenas pela fisionomia, mas também pela pronúncia.
   - Zé. Sou o Zé, vizinho do 2º andar, queria dar uma palavrinha à Senhora.
   - Momento, por favor.
Fechou-lhe a porta e, depois do que para ele parecera uma eternidade, voltou e cedeu entrada, encaminhando-o por um corredor até à sala de estar. Convidou-o a sentar-se com um gesto de mão, e disse:
   - Sinhora já vem. Momento. - e abandonou a sala.

Sentou-se. Esfregou uma mão na outra, tentando secar a transpiração causada pelo nervosismo e olhou em redor. Havia poucos móveis. Alguns quadros na parede. Duas ou três jarras com flores naturais, invulgares e coloridas. Não havia porta-retratos. Cores alvas e linhas direitas. As janelas estavam abertas, tal como tinha observado anteriormente, e as cortinas esvoaçavam por elas fora. Um cão aproximou-se dele. Assustou-se com a súbdita e silenciosa aproximação do animal, mas logo rápido se recompôs e já fazia carícias à fêmea. Era uma "ela".
Mais uma vez, e já lhes perdera a conta, olhou o relógio. Nunca mais vem, pensou. 
Deitou novo olhar sobre a disposição dos móveis e adereços da sala, tentando reconhecer algo familiar ou que lhe proporcionasse identificar a dona do sítio. Em vão.
Levantou-se acariciando as orelhas da cadela que de imediato lhe seguiu os passos, como que a guarda-lo. Foi até à janela, segurando com a mão as cortinas que se escapavam para a varanda.
Estranhamente, e riu-se, questionando se haveria algo de certo naquela cena toda... e, estranhamente, uma vez mais, no prédio do lado oposto da rua, uma mulher, à janela, de máquina fotográfica com a mira apontada na sua direcção. Que estranho... foi quase um déjà vu.

      Caminhou até à beira da varanda e olhou para baixo. Na rua o mesmo vagar acontecia. O ocaso chegava, e no seu interior, um turbilhão de ideias fustigava-lhe a paciência e aturdia-lhe o corpo. Do outro lado a mulher desaparecera, e agora a cadela lambia-lhe os dedos. Aguenta Zé! Aguenta!








( a continuar...)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Lá fora na rua...







O prédio era antigo, velho. Roçava a decadência. Os corredores compridos e estreitos, com várias portas umas em frente às outras, e mal iluminado. Em cada uma as portas, havia um barulho bem presente ao passar por elas. Música. Conversas. Risos. Discussões. De tudo ali havia.

Subiram as escadas em correria. Chegados ao apartamento, a porta trancada e com uma fita enlaçada na maçaneta, denunciava a presença de gente, e, consequentemente a entrada proibida. Era o código. Nada a fazer.

Olharam-se com a respiração ainda ofegante. Os olhos diziam tudo, e o corpo não negava. Encostados à parede, lado a lado, tocaram-se pela ponta dos dedos. A mão correu pelo braço dela acima e desceu. Ela ficou quieta, à espera.
Num repente urgente e rasgado, beijou-a esmagando-a no cimento cinzento e sujo do corredor. Gemeu. Procurou-lhe o sexo com a mão, ao tempo que no seu já sentia as dela a desabotoarem a braguilha. Atabalhoadamente levantou a saia, e baixou a cueca até meio das coxas. Passou os dedos pela penugem rara e sentiu-a. Afastou a camisola, tocou os seios com a boca, e foi descendo pelo corpo, deixando um rasto de saliva à medida que a desnudava. Ela empurrou-lhe a cabeça meigamente e disse com a voz rouca: Fode-me a cona com a língua...

Lá fora na rua,  uma carrinha comercial, estacionada em cima do passeio e com algumas caixas ali pousadas, ocultava a entrada do prédio, antigo, velho e que roçava a decadência. O estafeta, tocava persistentemente à campainha e revirava os olhos, batendo com o pé no chão. Iria desistir, havia ainda muito serviço a fazer e não podia esperar mais.






sexta-feira, 24 de maio de 2013

Lá fora na rua...



O dia estava quente. O sol espelhava intenso nas vidraças dos edifícios e reflectia no chão preto de alcatrão, o calor. Nas esplanadas, as mesas e cadeiras estavam todas preenchidas, e no ar os pássaros pintavam o céu. Ele tomava o café quando o seu olhar se deteve no passeio, do outro lado da rua. Não chegou a levar a chávena aos lábios e ficou pasmado, meio desacreditado, a olhar. Era a Rosa? Seria mesmo ela? Com uma feição alheada e um tanto ao quanto aparvalhada pensava: Rosa... Rosinha... Rosa... belas mamas, oh meu deus! Ergueu as sobrancelhas, deu um gole e pensou o quão insensível era. Por vezes, talvez até egoísta, mas a Rosinha, fora o seu segundo elo que lhe evocara sentimentos maternais. Primeiro com a sua mãe, aquela que lhe chegara a mama à boca e o alimentara por alguns meses,  aquele pulsar de vida transmitido por um mamilo, o toque que nunca lembraria, mas que conseguia imaginar. E depois, anos mais tarde, e já bem lembrado, o toque, o pulsar, o chafurdar, o lamber, e chupar nos lindos seios daquela rapariga grande e rosada de nome condizente. Grandes alegrias. Inesquecível!

E agora, do outro lado da rua, aquela mulher que em tempos lhe saciara os desejos e lhe enchera a boca com... sei lá, talvez meio quilo de carne em cada um dos seios?!, era abastada o suficiente para sobrar nas mãos e na boca. Era! ... agora, aquela mulher estava ali à sua frente, com dois fedelhos pelas pernas e outro no bucho! 
Endireitou-se na cadeira para poder observa-la melhor e os seus olhos sombrearam. Estava roliça, o cabelo curto e descuidado, as faces ainda e sempre rosadas, os olhos azuis sem brilho que, talvez a vida e a maternidade lhe roubara, e o que, para ele, fora tanta vezes um aconchego, um alento, uma alegria, um prazer, um orgasmo, as belas e elegantes mamas, eram agora o vislumbre de peles ao dependuro. 
Foda-se, tinha que pedir alguma coisa forte para beber e chamou o empregado de mesa. Afogaria as mágoas na bebida para  com isso esquecer o tormento que era rever aquele par de mamas.
Beberia, nada! Morcões! Achais mesmo que sim? Dahh, isto é ficção!


Entretanto lá dentro, no monitor piscava a chegada de um e-mail, e um envelope encerrado surgia. A sala estava em silêncio, os estores estavam quase encerrados, e um sumido tic-tac ouvia-se juntamente com o chilrear dos pássaros de lá de fora. Não havia ninguém ali dentro.


Na rua, ele levantara-se da cadeira, enfiara o porta-moedas ao bolso das calças e pegara no telemóvel. Olhou de relance, pela última vez, para a mulher que lhe fizera as maravilhas da puberdade e suspirou. Hesitou em atravessar e ir ter com ela, falar-lhe, ouvi-la, sentir-lhe o riso, cheira-la, tocar-lhe, talvez até conseguir espreitar-lhe pelo rego de carne aconchegado e amparado pelo soutian. Perguntar-lhe pela vida, pelos filhos que trazia agarrados, o que fazia, se era realizada, se tinha ambições, e se era feliz.
Deixa, Zé. Não vás. Na volta até te ignora com medo ou vergonha que os putos contem ao pai. A vida é aquilo que as pessoas querem que seja. Não há acasos, há escolhas. E a tua escolha foi não atravessar a rua e ficar no desconhecimento, e com a lembrança de que a Rosa tinha umas boas mamas.

O telemóvel tocou. Ele caminhava pelo passeio e falava animado:
- Baaaaby, como estás?!!
- Hmm, hmm...
- Ok, como queiras.
- Apanho-te em casa?
- Está bem. Comemos uma francesinha no Cufra e depois... depois logo se vê.
- Beiiiijo.
Parou de caminhar para ler o e-mail recebido. Sorriu e pensou: Primaço, ando às gajas!!








terça-feira, 23 de abril de 2013

Lá fora na rua...



          O dia terminava. Estivera quente e agora que o sol se punha, nas casas, as janelas estavam abertas, escancaradas, deixando o ar ameno entrar, e a azáfama do interior sentia-se e ouvia-se.


          Entretanto ele tinha entrado no prédio e aguardava a chamada do elevador. A Dª Cândida, uma simpática septuagenária do 1º andar queixava-se dos bandalhos que lhe enchiam a caixa de correio com publicidade, apesar do aviso colado mesmo à frente dos olhos. Perguntava pela família, pela vida, pelo trabalho, pela esposa que não tinha: Ai é verdade, o menino não é casado, esqueço-me sempre! Mas sempre perguntava! Contava dos netos e dos cursos no estrangeiro, dos filhos ausentes, das noras... bem, das noras nem vale a pena falar, dizia ela, e das receitas de culinária que lhe havia sugerido e se já experimentara.
E lá se despediu com um beijo babado na face e um rebuçado. Sim, dava-lhe sempre um rebuçado de goma, duro, intragável, mas dado com a maior das alegrias e vontades.
Ele sorriu-lhe. Devolveu-lhe o beijo, baixando-se, acolheu o rebuçado na palma da mão, sacado do porta-moedas preto de mola, e agradeceu recebendo de volta um piscar de olho azul e um sorriso matreiro de quem dá uma guloseima, à socapa, a um garoto. Ela voltou costas girando no seu tacão preto do sapato, comprado talvez há décadas, nas lojas da Baixa, e ele ficou ali parado em frente ao elevador, abanando a cabeça e vendo-a sumir-se por detrás da porta que dava acesso às escadas. Percurso que ela fazia questão de tomar todos os dias por forma a exercitar as pernas.

A porta do elevador abriu e ele entrou pensativo. Levantou a mão para marcar o andar e hesitou. Baixou o braço, encostou-se à parede do elevador e relembrou as palavras: "Cuidado Mr. Zé. Nunca desejes a vizinha do sexto esquerdo.". E mais depressa pensava, tão rápido o número seis seleccionava. À medida que subia, revia os números e as pessoas que no respectivo andar moravam. Um suave solavanco no elevador deu sinal de que tinha chegado ao destino. A porta abriu e mais uma vez hesitou. Já a porta corria a fechar, quando ele com a mão a deteve, e abriu de novo. Saiu.

Olhou para a direita e voltou-se de frente para a porta do 6º esquerdo. Um cheiro característico sentia-se no ar, aliás como em cada um dos andares, e todos eles diferentes.  Deu dois passos em frente e parou. Sorriu para si e mais uma vez lembrou: "Cuidado Mr. Zé. Nunca desejes a vizinha do sexto esquerdo. Entre a voluptuosidade esconde um segredo para o qual não estás preparado...." Raios! Mas porque raios não lhe saía esta frase da cabeça?! Parvoíce, Zé. Esquece lá isso! Chamou o elevador e desceu.


          Na rua, a poente, o céu misturava o vermelho com o laranja, antevendo o calor para o dia seguinte. No prédio do lado oposto da rua, à janela, uma mulher, de máquina fotográfica pousada no parapeito olhava fixamente em frente, como que estivesse à espera de ver alguém a aparecer. E ali permaneceu por algum tempo, correndo a mão dentro da camisa meio desabotoada que trazia vestida... 








( a continuar... )

terça-feira, 9 de abril de 2013

Lá fora na rua...




          ... o sol esquivava-se no horizonte. O escurecer clareado tão característico das estações mais quentes do ano iluminava o quarto. A janela de vidro larga, de parede a parede, estava despida, com a cortina puxada, e a cidade estava à vista. As luzes públicas já estavam acesas. Nos tempos de ditadura, diziam os mais antigos, que nesses tempos as luzes da rua eram de cor amarela, e agora, mais de meio século volvido, voltávamos a ver nas ruas a luz amarela dos candeeiros. Aqui e acolá, em locais mais ermos, até apagados. Mas também em sítios pouco ou nada frequentados, acesos ainda com a luz do dia. Um peso diferente para a mesma medida. Eram os efeitos da democracia. Ainda bem que os mesmos antigos já ali não viviam.

          Lá dentro, aos olhos da cidade perdida nos afazeres do fim de dia, com os phones nos ouvidos, ela dançava meio despida mas com as sapatilhas rosa choque calçadas, bamboleando o corpo. Ele aproximou-se por detrás, abraçou-a pela cintura, incapacitando-lhe os movimentos, encostou o nariz ao seu pescoço e sentiu-lhe o cheiro e o calor. Como um animal, bastava sentir-lhe o cheiro para a reconhecer. 
Ela retirou um dos auriculares do ouvido e colocou-o perto do dele. Sorriu. Ele ouviu e fechou os olhos. Abriu-os a medo e ela olhava-o ainda mais sorridente, aguardando o comentário ao som. Ele voltou a fechar os olhos. Rihanna. Ela ouvia Rihanna. Céus! É gaja, querias o quê? - pensou ele.
Sorriu-lhe de volta, com o mesmo entusiasmo, colocou-lhe o auricular no ouvido e largou-a. Ela reiniciou a dança e ele sentou-se aos pés da cama, a vê-la dançar.


          Na rua já o escuro da noite tinha tomado lugar, e já o reflexo do que naquele apartamento acontecia se notava pela luz ténue dos focos acesos. Ele aproximou-se da janela e correu a cortina...








segunda-feira, 18 de março de 2013

Lá fora na rua...



         O movimento, apesar de agitado, já não era o habitual. Menos trânsito, alguns lugares vagos para estacionar, armazéns com inúmeras placas a dizer: "ARRENDA-SE", com o nome das imobiliárias e diversos números de telefone, vítimas da assoberbada falta de clientela. O  café da frente, sem grandes carros à porta, tinha a esplanada vazia apesar do dia de sol, e o interior em muito se semelhante. Quase parecia o ambiente de uma pacata vila com uma área industrial, mas tratava-se de uma zona que outrora albergara grandes indústrias, muito emprego e um crescente movimento.

          Entretanto, lá dentro, ele estava sentado à secretária e pensativo olhava pela janela. Apoiou os cotovelos no tampo da mesa, virou a cabeça para o monitor, e suportou o queixo sobre a palma da mão, ficando com os dedos entre o nariz. Estava perdido por entre pensamentos escusos no marulhar do escritório, os telefones, agora também estes, mais sossegados, o ruído dos teclados, o entra e sai de gente, mas subitamente algo o acordou daquele vaguear disperso. Conduziu os dois dedos pelas narinas, cerrou os olhos e sentiu-lhes o cheiro. Inspirou. Sorriu e voltou a inspirar. Cheirava a ela. Cheirava a mulher.
Há meia hora atrás havia-se fechado na sala de arquivo com a Luísa. Tinha-a sentado sobre a secretária, puxara-lhe a saia para cima, e sentira-lhe a renda das meias de liga que sempre usava quando vestia fato de saia. Afastara-lhe a cueca de renda que imaginava preta, como sempre, e depois de sentir aquela máquina de combustão permanente entre as suas pernas, os lábios cuidadosamente depilados, o pequeno traço de penugem ao alto, pela púbis, fodeu-a com os dedos. Sabia a forma como a tomar, sabia-a de cor nos seus dedos e sabia que um rápido entra e sai, e um ágil e ainda mais rápido esfregar entre o clitóris a fariam ter um orgasmo. E teve-o.
Ao sair de dentro dela, limpou os dedos na cueca, passou as mãos pelas pernas até aos joelhos, beijo-a e voltou costas, saindo da sala, deixando-a a compor-se.

          Um camião TIR assinalava ruidosamente uma manobra: pi...pi... pi... pi... pi..... O chefe de armazém na sua bata cinzenta ajudava com as mãos, indicando a direcção. Estava difícil entrar de marcha atrás no armazém e uma fila de carros aguardava passagem calmamente, sem reclamar o tempo decorrido. Sinais do tempo perdido, sinais de uma vida arrastada, sinais do vagar e da falta de expectativas.








quarta-feira, 13 de março de 2013

Lá fora na rua...



          Está um vento e um frio danados. Entremos já.

          Ela estava deitada nua sobre a cama, olhando-o com um desejo provocador nos olhos.
 - Quero-te foder já! - ordenou-lhe ele.
Ela acenou a cabeça dizendo que não queria.
- Como não queres? Queres o quê então?
Avançou para cima dela dela e sentiu um estalo na face.
- Muito gostas tu de me bater, cabra!
Ouvindo o riso dela, colocou-se de joelhos sobre o colchão, puxou-a pelas pernas e começou a lambê-la e a toca-la.
Ela deu-lhe outro estalo e revirando o corpo tentou soltar-se da sua boca. Ignorando, ele continuou a chupa-la, e com força prendeu-a e enfiou a língua por ela adentro, com os lábios afastando e prendendo os dela, com os dedos entrando e saindo até que um breve suspiro ouviu, indicando que ela se entregava.

          Voltou-a e colocou-a de quatro. Fodeu-a por trás, com vontade, com raiva, com poder. Sem efectos, sem carícias, sem palavras e apenas uivos de prazer.
Na despedida, um sorriso apenas. Ele bateu a porta e ela ficou a arranjar-se.

          Tapou a boca e o nariz com o cachecol, encolheu os ombros, meteu as mãos aos bolsos e dirigiu-se a passos largos para o carro.
Está um frio do caralho - pensou ele. 
Entrou no carro e olhou para a janela do apartamento dela. Ligou o rádio e pensou que há muito tempo que não tinha uma foda assim tão fria e com tão pouco envolvimento sentimental. Mas afinal de contas ela nunca esperara que ele lhe levasse flores, ou que lhe sussurrasse palavras de amor,  mas apenas que a fizesse gemer e a soubesse foder.
A música tocava e o carro arrancou. Já era tarde e ouviria um piço no trabalho. Mais um.

Bruno Mars - When I was your man








quinta-feira, 7 de março de 2013

Lá fora na rua...




     O vento fustigava as árvores, revirava os guardas-chuva e arrebeirava as saias das senhoras. No céu, um negrume sombrio ao mar, e em terra, as gaivotas voavam desnorteadas, empurradas pelo vento. Começara a chover copiosamente...

    Entretanto, lá dentro ouvia-se Bolero, de Ravel. Som que o primo havia recomendado e que naquele dia deliciava a alma.
E num ritmo suave e sereno, passeava-se pelas curvas do seu corpo e afundava a língua por entre os lábios tumescidos do seu sexo. O som dos clarinetes misturava-se com o gemer de uma só voz dela.
E ali permanecia, enquanto a tomava nos meus lábios.

     Agora, a chuva sentia-se a bater mais fortemente no vidro da janela, e o vento, enfurecido, orquestrava os andantes e alvoraçava a rua.



http://www.youtube.com/watch?v=8aSptG96MmU





quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Lá fora na rua...



     ... a manhã desperta com nuvens cinzentas. Cai uma chuva miudinha e nos passeios as pessoas movem-se em silêncio, manifestando o mau tempo sentido. Os que não têm guarda-chuva, caminham apressadamente, abrigando-se por debaixo das varandas e toldes das lojas. Os outros caminham, simplesmente, encolhidos pelo frio da chuva gelada que lhes toca nas mãos, com uma expressão desapaixonada e os sentidos ainda adormecidos.

     Entretanto, lá dentro, ela abre a janela, e apoiando os seios fartos no parapeito, estica-se por forma a alcançar a roupa no estendal fixo na parede, e agilmente começa a apanhar a roupa, já húmida.
Por detrás, ele aproxima-se e acolhe-a, enrolando os braços à volta da sua cintura, desapertando o robe vagarosamente e alcançando o corpo nu.
Percorre-lhe a púbis, depois as nádegas, afastando-as em movimentos circulares, e de novo a púbis até lhe alcançar o sexo. Ela resmunga e aperta-lhe os dedos entre as pernas, não o deixando prosseguir. Não se dando por vencido, investe nos seios, tocando os mamilos espetados e a pele arrepiada, enchendo as mãos,  apertando-os uma vez, e beliscando outra.
Encosta-se a ela empurrando-a contra a parede, tocando-a desalinhadamente e roçando a sua rigidez na pele macia das pernas. Mais uma vez ela protesta, continuando no afazer que a detém à janela,  e em vão tenta afasta-lo. Irritado com a rejeição, abruptamente afasta-lhe as pernas com as suas, curva-lhe as costas por cima do parapeito da janela, trilhando-lhe os seios nos frisos, e afasta-lhe o robe, pondo as nádegas a descoberto.
Ela geme, rabujando, e não resistindo mais empina o rabo, coloca as mãos com a fronha da almofada entre os dedos sobre o parapeito, e oferece-lhe o corpo. Ele sorri triunfante, leva os dedos à boca molhando-lhe as pontas e de seguida toca-lhe o sexo molhado, sente-lhe os pêlos raros, puxa-a para si e de uma só estoca penetra-a.
E assim continua, aumentando a cadência dos movimentos, penetrando mais fundo e forte, segurando nas ancas empurra-lhe o corpo para a frente e para trás, baloiça-lhe os seios no parapeito, e ouve-lhe a doçura dos gemidos langorosos... a roupa apanhada cai pelo chão.

     A chuva cai agora com mais intensidade. O autocarro pára em frente chiando, e a primeira porção de gente sai, atulhando-se uns contra outros, e em direcções diferentes. Risos, palavras, guarda-chuvas, casacos, sacos, mochilas. O dia começa, chove e está frio.








sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Lá fora na rua...


     ... o movimento é agitado. Já quase passada a hora do almoço, muitos voltam ao trabalho. O corrupio de sempre, mas com a agravante de ser sexta-feira. Mais carros na estrada, e o barulho, por vezes irritante, das buzinas dos condutores aflitos. Toda a gente tem pressa para voltar a casa, para voltar à aldeia, à terra e ao lar que os acolhe ao fim-de-semana. Nos passeios as pessoas correm, caminham impacientemente, esbarram-se e atropelam-se, com a mesma urgência de quase todos, a do fim-de-semana.
Junto ao cano de água que desce pela parede da casa, até ao esgoto, um cão ladra enfurecido, com o focinho apontado para o buraco, e abana o rabo. O dono, que o segura pela trela, ignora-o, e fala com a senhora de cabelos grisalhos, que levanta os braços e gesticula. E continua incessantemente a ladrar, apenas parando quando o dono lhe dirige palavra, ordenando-lhe que pare. E pára, por segundos, mas logo volta.

     Entretanto, lá dentro, pelos estores da janela semi-cerrados, entrava a luz do sol e pousava sobre a roupa da cama. Ele estava sentado na beira do colchão, e ela, ao seu colo, entrava e saía de dentro dele, vagarosamente. Enroscou os braços magros em volta da cabeça dele, encostou os lábios a uma das orelhas e começou a gemer num som lânguido. Ele, com o intento de lhe acelerar os movimentos e de a folgar no empreendimento, segurou-a por debaixo das nádegas e ajudou-a no entra-e-sai. As faces ruborizaram-lhe, os gemidos eram agora entusiásticos, e as mãos desceram pelo pescoço e pararam nas omoplatas, nelas fincando as unhas. Ele assentou-lhe uma palmada vigorosa num das nádegas e ela soltou um grito rouco - Mexe-te tu agora. Anda, fode-me! Do outro lado, outra palmada, e ela, em jeito de replicar, agarrou-se-lhe com força espetando as unhas, deixando-lhe a marca nas costas, e começou a entrar e sair impetuosamente - É assim que queres? - questionava-lhe com a voz incerta. Ele apertava-lhe as carnes das nádegas, afastava-lhe a fenda, e ajudava no percurso, levantando-a com a palma das mãos.

     Lá fora na rua, o cão continua a ladrar, e o dono sem fazer caso puxa-lhe pela trela e, despedindo-se da senhora de cabelos grisalhos, volta a caminhar pelo passeio, onde as gentes frenéticas dão vida à cidade.

Bom fim-de-semana!