Mostrar mensagens com a etiqueta Dear Zé. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dear Zé. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de março de 2015

Dear Zé na paragem do 21.



Não sei bem porque não nem porque sim, quis o destino trazer-me de volta a estas paragens. 
Como diz o vagabundo: bateu a saudade!

Quase como um jovem imberbe, ando aqui a tentar redescobrir como tudo funciona. É de maneira estranho como ao fim de alguns meses isto me parece completamente desconhecido. E sim, minhas queridas, se me quiserem ensinar estou sempre disponível. Sempre, qual jovem imberbe!

Ora então, de volta a esta vida, nem que seja por um post, pois não sei se amanhã ou depois terei a mesma vontade que tive hoje, quero apenas dizer-vos que desde o afastamento do Dear Zé, que o Zé tem andado por outras paragens, ainda que também já lá não vá há alguns meses. 

Quis deixar de ser o Zé e pensei ser algo completamente diferente, ou algo apenas diferente, pois o completamente é mais difícil, ou dá mais trabalho, simplesmente.
Nome? Nome? Nome?? João. João é perfeito, deixa de ser assim um nome vulgar como Zé. Ficámos João. Depois veio o resto, e veio Sexo, Drogas e Pão. Porquê?! Ahh, porque queríamos ser algo diferente, e assim a nós, a mim, me pareceu ser diferente, Mas disse um, e depois outro e por fim mais outro, que afinal, era "muito Zé"...! 

Agora, não corram, porque não será assim tão peremptório. Eu cá continuo a achar que eles são diferentes. Mas, em todo o caso, e se me quiserem encontrar, às vezes estou por aqui, na paragem da carreira 21. Because I keep wondering, how many people do you need to be, before you can become yourself.

E agora, ide!






Apraz-me saber que a maioria, continua por cá!


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Excitações!


Excitações à parte, porque afinal de contas é sexta-feira, e o Sol, esse sacana fugitivo, brinda-nos e violenta-nos a pele, consequentemente desassossega-nos o corpo ( coisas de gajo, estão a ver?! Se bem que elas, diz que também padecem do mesmo mal. ), e como tal resolvi entrar. Espreitar. Relembrar. Sorrir...Tosco do caraças! Zé! Zé! Zé...

Temos saudades disto. É um facto. Disto e do resto. E dos outros. De tudo.

Beijos & Abraços, daqui, do coração da naçon!







sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Caros Anónimos



Aqui estou, na casa onde já fui feliz, e duas perguntas (para já) se impõem:

Zé, o que tens andado a fazer este tempo todo, sem dar notícias?

Bom, meus amigos, tenho andado por aí, numa lufa-lufa diária, nas morgues, lar de idosos, pontes, valetas, repartições de finanças, em alguns blogs, casas funerárias, caminhos de ferro, nas ruas mais movimentadas, seja de comércio ou de trânsito, enfim, tipo abutre, ando por aí à procura de gente morta ou a caminho de, para os tornar militantes para as listas do PS!

Pronto, não teve piada, mas hoje é sexta-feira, entendam que não é fácil, depois de um extenso período de tempo, voltar a escrever com coerência e senso, não esquecendo a parte de fazer piada, ainda que mordaz, que é tão característico a quem não tem népias para postar ou apenas gosta de maldizer a vida alheia. 

Assim sendo, passemos à resposta propriamente dita: caríssimos leitores, tenho andado entretido com duas medas, douradas, lindas, firmes, produto natural, sem marca alguma de biquini, onde na ponta se me sorriem dois lindos bicos empinados, castanhos, rijos, que logo, logo apetecem morder. Sim, eu sei, dói! mas mordo devagar, só com a ponta dos dentes, e dou beijinho logo a seguir. São assim duas lindas medas douradas, sim, estou a repetir-me, mas são tão boas que fico logo em prontidão, e naquele tamanho que enche a boca mas que não atafulha, entendem?! e dá sempre vontade de mais, mais e mais! Nunca farta! (para já!) 
De modos que, com vêem, é resposta mais do que suficiente para a pergunta.


A segunda: Zé, voltas?!

De momento, não é possível. 



À escuta Mafalda Veiga, Imortais


quinta-feira, 10 de julho de 2014

Dear Zé


Para toda a minha vida é um conceito de tempo enorme. É muito tempo! Não sei se poderei esperar, se o saberei fazer. Apenas sei que é por muito tempo que eu vou-te amar...

Ontem comprei O anel. Tenho-o aqui à minha frente. É lindo... acho que gostará...(não há cá trocas, azar!)

Está tudo pronto. Não minuciosamente preparado, mas está elaborado.
Mais coisa, menos coisa, zarpamos para Lanzarote, e lá, de joelhos, a teus pés, completamente rendido e desarmado pedir-te-ei para ficares comigo para toda a minha vida... obviamente que não perderei a ocasião e já que estarei de joelhos faço-te um baita dum minete que será impossível recusares seja o que for! Será assim uma espécie de treino para o momento: (...) e agora pode levantar o véu e beijar a noiva. E beijo-a... lambo-a... chupo-a... ok! Menos, Zé! Menos! - dirão vocês, mas um gajo tem de se distrair para esconder o nervosismo.


...


Para toda a minha vida é um conceito de tempo quase eterno para este blogue. É mais do que muito tempo, e aqui, neste espaço virtual o tempo é tão curto que seria aborrecido por demais terem-me assim por tanto tempo.
Não porque eu sei que vou ter a eterna aventura de viver ao lado teu por toda a minha vida! Não! Não é por isso, mas simplesmente porque aqui o meu tempo acabou... Vá, não dramatizem! Eu sei que só cá vinham para marcar ponto, mas não se esqueçam daquilo do tempo, como em tudo o resto, também aqui as lembranças são curtas, de maneira que daqui a uns dias já não se lembrarão do Dear Zé.
Peço desculpa se de alguma forma, em qualquer momento fui menos agradável, mas acreditem que sempre foi meu propósito de que a diversão fosse partilhada.
A todos, não de forma igual, obviamente, (seria pouco sincero dizer isso, e como nunca aqui andei para fazer o gosto, não seria agora que o faria), o meu obrigado pela partilha!
Em especial, e por ordem de leitura no reader:

Mr JM, nunca to disse, mas acho que agora deves ter percebido, fui ao 6º andar e estou irremediavelmente condenado!

Sol, a eterna apaixonada. Beijinhos, beijinhos!

M4rciano, o bom gosto e perfeita combinação entre algumas das melhores coisas que temos no mundo: Mulheres e Música. Excelente trabalho! 

SM, boa sorte, rapaz,  noites felizes e sossegadas! Hehehe

R., companheiro... ahh, saudades daqueles posts de anafadas trocas de comentários!

Primaço, valeu a experiência, as histórias, a sabedoria, as gargalhadas, as receitas culinárias, a partilha e a alegria com que me brindaste. Obrigado!

IPC, a minha preferida, a que melhor sabe escrever o sexo... sempre doce, intensa e sem nunca cair na vulgaridade! És um tesão, no sentido exacto do significado!

BC, gostaria de ter lido o Lado A...

nAninha...

Pseudo, tens um feitio dos diabos, mulher!  Vou a Braga daqui a uns dias, ainda se mantém o convite para café???? :)))

A sócia Chata da Pseudo Minhota, mas que belo par de jarras fazeis! Essa coisa de ser vermelha, é mesmo feitio, não é???!!!

A Minha Riscada... adoro-te miúda!

Joaninha, das minhas mais anónima, por não teres blogue, mas mais manifesta comentadora, o que é uma grande contradição, mas tão verdade, e tão bom que foi ler os teus comentários. Beijo!


Não é um adeus, é apenas uma porta que se fecha para logo a seguir abrir uma janela , pois já estou a pôr mãos à massa para um novo "EU", because: I keep wondering, how many people you need to be, before you can become yourself?...


"Façam o favor de ser felizes!"












(sócio, é todo teu, pois acho... acho que já não volto!)


terça-feira, 1 de julho de 2014

Actualizando.






Temos: vinho, fumados e azeitonas alentejanos, o pão já acabou; queijo de Minas e uns brigadeiros que Titia mandou, mas que o Zé já mamou; presunto e mais vinho do Douro, tremoços do intermarché,  e loiras, grandes (nada de mines, isso é só para meios-homens), frescas e boas! Cerveja, claro! 

Temos um primo alentejano e um brasileiro, portanto. 

Temos sono porque temos tido noites de esbórnia, portanto.

Temos visto os jogos. Temos ido dar umas voltas e temos estado com... gente do sexo oposto.... portanto!

Temos ( mas foi só um dia destes, talvez repitamos hoje à noite ) subido a Avenida e ido à Rotunda andar de carrinhos de choque, e temos parecido genuínos putos numa alegria comensurada.

Temos passado assim os dias e apesar da intensa actividade temos sentido falta dela, portanto!

E temos que terminar deixando um sonzaço Close to Me, The Cure.



segunda-feira, 19 de maio de 2014

Para ti...




Será um título brejeiro, por demais vulgar, contudo, totalmente apropriado ( tal como o caralho das vírgulas que nunca sei onde, e se as colocar! ). 

Este é um post dedicado a todas as damas que por aqui passam, e quero que o leiam como se este fosse dedicado apenas a cada uma de vós individualmente e apenas para ela. Ou seja, fazes de conta que este post é dedicado a ti, e apenas para ti, mesmo que valha para o resto do mulherio, mas... faz de conta, percebes?! 

E antes de o começarem a ler, cliquem no link que vos remete para uma música. É apenas para dar ambiente, e começar desde logo a criar aquele calor... hmm hmm... estão a ver, não estão?! Vá, agora, cliquem: Break it to me gently...
Sim, eu sei que o som é capaz de ser um tanto ao quanto para o brejeiro, mas é romântico, não acham? ... ahhh, quer dizer: não achas????
Continuemos, então...

A sala estava vazia, as cadeiras e mesas alinhadas, e apenas o globo de cristal sobre o centro da pista de dança ilumina o espaço. 

   Zé...! Zé, essa merda não é brejeira, essa merda é azeiteira, caralho! 

Pois, talvez seja... mas é romântico, não achas??? Combina tudo, a música, o ambiente, e tal... hmmm? Anda cá... dá-me a tua mão, vamos dançar... shiuuuu, ouve...

Aproximo-me de ti, pego-te pela ponta dos dedos, depois seguro-te a mão, e com vagar puxo-te para mim. Sinto o teu perfume, o teu calor e agarro-te o olhar. Olhos nos olhos. Vá, não te rias, já basta as parvoíces que por aqui espalho, este agora é a sério... de verdade!
Levanto-te o braço à altura dos ombros, e com a outra mão cinto-te o corpo e ajusto-me a ti. Lentamente e em compasso, começamos a arrastar os pés. As luzes de cristal reflectem sobre o teu rosto, tens os olhos pousados sobre o meu peito, encosto a minha face à tua, sinto a maciez da tua pele... controla Zé, controla! ... e digo-te:

   - Tenho uma coisa para te dizer. Bem sei que ultimamente tenho sido um homem ausente, não dou a devida assistência, não posto, não coiso, não nada.... 
( E agora dizia ela: Zé, cala-te caralho, deixa-te de merdas e mete-me os dedos na cona! Mas não posso, este é a sério, nada de cenas porcas e afins!
... adiante e continuando, a sério:

   - Bem sei que a minha ausência leva a que cada vez mais nos afastemos, e quem sabe, que com o tempo me deixes de vez. Por isso mesmo, tento a todo o custo travar este nosso distanciamento, e já pensei em várias soluções, tendo até chegado a uma delas. E é por isso que hoje, fechei o tasco só para ti, e para te dizer que... sabes... eu gosto muito de ti... muito, muito... és a minha leitora preferida... tu sabes! E sabes... tenho uma coisa para te dizer... vou trazer uma pessoa cá para o tasco... vá, deixa-me a acabar... vou trazer para cá uma pessoa que vai colaborar comigo, e tu sabes que eu gosto muito de ti, não sabes? ... mas olha, e tu, com esta nova pessoa por cá, não vais deixar de gostar de mim, pois não???!!!

A música acabava, ele passando-lhe a mão pelas costas e apertando-a mais contra si, encostou os lábios junto do seu ouvido e disse em sussurro: Não te vais esquecer de mim, pois não????



....






quinta-feira, 17 de abril de 2014

Histórias






Aqui há dias recebi a visita duma velha amiga. É verdade, volta e meia caio na graça dos deuses e dos diabos e elas batem-me à porta.
Chame-mos-lhe a Tia. Vocês sabem que sou rapaz discreto e que, pelo sim, pelo não, tenho seguro de vida, não vá um qualquer bater-me à porta com a fusca em punho.
Conheci a Tia em Lisboa, lá de onde ela é nascida e vivida, pois frequentava a casa duns tios, estes, de sangue e não de encabação, tal como a dita.  A ordinária fartava-se de gozar, sempre com outras intenções, daí eu a adjectivar de ordinária, aqui com o pujante e jovem José que era do Porto e que falava com a pronúncia que todos sabem ter as gentes do coração da nacão-e.
Eu, Dear Zé, querido como sempre, sorria-lhe, mas em silêncio pensava: minha ordinária... hás de cá vir
E veio!

Os pormenores não são necessários, eu sei que vocês dispensam todo aquele vocabulário cheio de vernáculo e erótico-badalhoco, e portanto passamos logo à fase em que a acção está já em franco andamento.
Dita então a história, pois eu hoje estou assim em modo de remember yesterday ( que por acaso eram as noites de quarta-feira, no mítico Swing, que nada tem a ver com mistura de casais, e se acontecia era mero acaso, mas era um bar ali na Boavista. Ah saudosas noites de farra, e boa música, e no fim boas trancadas! )... e como dizia, dita a história que a dama lisboeta, tanto andou, tanto desdenhou que numa bela noite de luar foi parar ao quarto do Zé. Já a romaria tinha passado o adro, e o Zé fez-lhe pontaria para a zona dos fundos, e ela... uu...uu...uiiii, aí não querido! E o Zé: aí não, porquêêêê?, gozando ele, agora, com a sua pronúncia arrastada de Tiiiiiiiia. Depois de várias tentativas, e do uso manejado de palavras por forma a convencer a Tia, eis que o intento foi bem sucedido. Aliás, muito bem sucedido, pois aquela lisboeta, diga-se de passagem, e sem querer ser indiscreto, tem um monumental cu!

Todavia, havia um senão. A momentos tais, satisfeita da vida, e o Zé também, a Tia dirigiu-se ao wc para fazer a sua higiene e eis que o Zé ouve um "vrum"... (nós por cá, é brum, pois, a pronúncia é a mesma, tanto seja por cima como por baixo! ), e depois outro vrum, mais agudo, agora, e outro e outro... e uma verdadeira sinfonia, algo desafinada, pois ou era em dó maior ou menor, ou em clarinete ou em trombone. E o Zé, que é um rapaz esclarecido e compreensivo, pensou: aquilo precisa duma afinação, mais uns dias e já canta de fininho! E assim foi, mas nunca deixou de cantar...

Tudo isto para vos dizer que a Tia gostou tanto, tanto, tanto do tratamento do Zé que, volta e meia, ou eu por lá, ou ela por cá, nos juntamos para afinar os instrumentos. Ainda estes dias, assim que a vi, cumprimentei-a com um beijo na face e ao mesmo tempo sussurrei-lhe: já tinha saudades tuas... cagona

E assim vos deixo com mais uma história. Para que não digam que só escrevo coisas porcas...
E despeço-me até um dia... Pelo menos até ao fim do dia por cá estarei, depois vou apanhar uns raios de sol dos Al-garves. 
Beijinhos e Abraços, e cuidado com os doces, mas se precisarem de um personal trainer... Dear Zé está às ordens!


Um postal do Zé! ( mais um)




São pérolas, minha gente, que se vão perdendo com os tempos. Ouvi-o, a primeira vez, pelas palavras do meu avô. Achei-lhe piada. Ficou, e ainda hoje lembro, com ternura e saudade. 
Quase sempre contado em período de férias, na mesa grande da cozinha, onde eu, as manas e alguns primos, sentados, a baixa luz e pela noite dentro, ainda que fossem apenas nove da noite, atentos e ansiosos, escutávamos. O texto era excelentemente narrado, com a devida acentuação, ora numa voz pesada, ora com muita altivez, e por entre risos, gritos e olhos esbugalhados, escutávamos sempre com o mesmo entusiasmo!
Cá vai:

Grande Revolução no Porto!

Então meus senhores, ainda não leram os jornais?!
Grande revolução no Porto!
Tragédia, meus senhores! Tragédia de arrepiar os cabelos! Tiros! Pancadas! Facadas! No Porto está tudo morto!

A revolução começou no estádio do Dragão, mas o caso já veio da Ribeira.
Por causa da perda do campeonato juntou-se tal povoléu, que a cem léguas de distância já se ouvia o choro das mães! Choviam golpes mortais e os mortos empilhados já se elevam a tal altura, que um deles avista quase toda a Estremadura!

Que furor, meus senhores, na luta que se travou! Tiros por todo o lado! O rio já vai molhado! 
Os navios aos glutões vieram até à Rua Passos Manuel onde lá há feridos a granel!
E a choradeira é tão grande, que foi preciso chamar os bombeiros de Tomar por causa da inundação que já ameaçava a Circunvalação!

São tremendas as apostas, já há homens com casas às costas! Já não se sabe do Pinto da Costa!

Na rua Alexandre Herculano um homem engoliu um aeroplano! 
Outro, na rua da Flores, com um sopro desfez em frangalhos nada mais que seis vapores!
Um terceiro, enfurecido, foi ao posto da polícia que fica na Cordoaria e com um berro descomunal rebentou logo o portal! Em seguida, manda altivo por cá fora o Regimento, a à força do tabefe esmigalha-o num momento!

No largo da Aguardente, está tudo cheio de gente!
Na rua da Lomba rebentou uma bomba!
E em Fernandes Tomás mataram três velhas e um rapaz!
Em Sá da Bandeira a desordem durou a noite inteira!

A Batalha era varrida pela metralha!
E nos Caldeireiros já estão os artilheiros a preparar os canhões que por lá são aos montões!

Que grande carnificina! Tiros até mais não! O sangue corria em cachão! E aqueles cadáveres assim todos tortos, viam-se logo três mil mortos!

E o sangue a correr e a mãe a gritar - Meu filho! Meu filho! Pega na garrafa e vai buscar um quartilho...
Tiros! Pancadas! Facadas! No Porto está tudo morto!




( E agora, se me dão licença, vou acabar o arroz de polvo, tenho três quartilho de branco a refrescar e o convidado a chegar! )



terça-feira, 15 de abril de 2014

Dear Zé angaria gente de bem e gente ordinária... uma só, não serve. É factor eliminatório, logo, são cumulativas.


Quando era pequenote, aí pelos tempos de escola primária, odiava as férias. Não necessariamente o tempo todo, mas os primeiros dias eram fastidiosos. Não havia aulas, não havia recreios, não havia brincadeira, não havia trabalhos de casa... não havia nada que fazer, ainda que houvesse, mas não havia aulas e era o suficiente. Depois a malta começava a encontrar-se, a organizar-se, os primos chegavam, reorganizávamos e... as férias eram tão curtas!

Estou de férias. Já lá vão uns dias. Um tédio só visto e por demais sentido. Passo os dias sozinho. Passeio. Falo com estranhos. Aproveito para pôr as leituras em dia. Corro. Ouço música. Há dias falava com um dos meus sobrinhos. Macho! Sim é macho, e único, tadito, mais um ostracizado, mas pronto, o tio apoia e dá força. E dizia-me ele que está na pré-adolescência. Nos meandros dos meus pensamentos menos obscuros e mais asseados, tentava perceber onde é que era essa fase, antes de abrir a boca e dizer asneiras. E, ao fim de alguns segundos ( é verdade, foi rápido ) perguntei: essa merda é o quê, caralho?! Vá, não se admirem, ele já sabe e percebe claramente o vernáculo do tio e de toda a gente dita desafogada. Lá me disse que é aquela fase depois da infância e antes da adolescência. Ok. Mas diz-me lá, já formiga? 
Hã?! 
Já te fechas no quarto, para aqueles momentos a sós? 
Hã?! 
Se já esgalhas, caralho? 
Hã?!
Ok, ok.... ainda não, concluí. Mas vá, estará quase. O tio, um dia destes, vai mostrar-te umas revistas que tem em casa, debaixo da cama. Debaixo da cama? perguntam vocês, admirados. Vá, perguntem! 
Debaixo da cama, Zé?!
Sim, debaixo da cama! É simples. Naqueles dias em que não me apetece levantar para ir buscar o android, "debaixo da cama" fica a um simples gesto de me rolar na dita e esticar o braço para apanhar a caixa cheia de revistas com gajas nuas!!!! et voilà!
...
Está bem, não está debaixo da cama, mas está religiosamente guardada. Faz parte da vida de um gajo! Do passado, claro! 

E pronto, tudo isto para dizer que, comecei a organizar-me, meninas. Ainda faltam uns dias para terminar as férias, não muitos, mas ainda se podem fazer umas coisas divertidas. De modos que, já sabem... e não, não me vou repetir com aquela cena da casa, comida e roupa lavada. Sou eu quem está de férias, portanto se quiserem alguma coisa, façam-no! Podem vir, ficar, aproveitar e coiso, fora isso ( refiro-me à parte do coiso ), não faço mais nada!
E agora, se me permitem vou laurear, apanhar um soleil enquanto tomo café e leio o jornal, e espero ter a caixa de correio cheia de e-mails vossos, quando voltar. Nem que seja para um simples beijinho e dizer que me adoram... eu depois trato do resto... e trato-vos da pele!

Beijinhos e abraços daqui, do coração-e da nação-e!




sexta-feira, 4 de abril de 2014

Actualizando


Levantei-me e espreitei o dia. Cinzento. Foda-se... 
Então? E agora?  O que fazes? A malta não acreditou em ti. Se tivesses feito isto com mais minúcia, com intenção séria e precisa... mas não, pões-te na brincadeira e é sempre mais do mesmo, a malta não te leva a sério... e agora? 

Bom minha malta, esqueço "once again" os tacões, as saias, os vestidos, as leggings, o baton, a mulher, as cuecas... oh, as cuecas esqueço-as muitas vezes, mas é intencionalmente! Oh, é tão bom andar com a franguinha ao ar, ainda que corramos o risco de constipar, mas acreditem, é bom, deviam experimentar, quem nunca o fez. É aquela sensação de liberdade, de tesão, de segredo, de alegria, de intenção... intenção de foder! E... lá vamos nós, também pode ser sem boxeurs, sentir o tecido a roçar na cabeça da gaita dá cá um tesão, e então se as calças forem de fazenda, aquele tecido sem grande tratamento, com aqueles pêlos que picam ligeiramente... eishh... nem é preciso ver uma gaja boa! 

E pronto, Dear Zé está cá de novo. Serei aquilo que vocês quiserem que seja. Dear Zé seja!





( sim, sim, Dear Zé usa gafas, mas tira-as para fazer o amor, é melhor assim, uso apenas um sentido, ou melhor, dois... não esperem, são três, afinal. O toque, o cheiro e o sabor... fora isso sou uma verdadeira toupeira... não vejo nada... a não ser que sejam grandes, heheheh... mas diz ela, agora é só uma (de cada vez), que me aplico mais... é que os olhos também comem e como tal, fica logo ali pelo caminho alguma parte da intenção, entendem? :)) )


terça-feira, 1 de abril de 2014

Falemos do Zé 3/...3




" I keep wondering, how many people do you need to be, before you can become yourself "


De há uns dias para cá iniciei este percurso sobre alguns traços da vida do Zé ou do Dear Zé. O único intento foi tão somente elucidar e matar a curiosidade dos leitores que aqui e acolá se queixavam que o Zé não mostrava, o Zé não contava, o Zé é um invejoso e guarda tudo para si. E não, nunca foi um exercício de egoísmo ou de vaidade, pois aqueles que ao longo do tempo me vêm acompanhando, certamente se terão apercebido que não serei assim de tão bom trato, e como qualquer pessoa tenho os meus defeitos.

Podia então continuar aqui a contar-vos inúmeras coisas acerca do Zé, contudo e se forem leitores atentos, verão que está aqui tudo retratado, em cada um dos posts está o Dear Zé, em todas as respostas a comentários vossos, está o Zé! Entrelinhas ou mais evidente, está lá tudo. 

A questão, contudo, será outra, talvez não tanto à vista... talvez... mas que, todavia, fará toda a diferença.
Não obstante, com alguma frequência vos dizia que o Dear Zé é uma personagem, criada, calculada, pensada, construída... e eis que finalizando o raciocínio e este trio de postagens vos digo: 
Entre mim e o Dear Zé há muitas semelhanças, contudo há uma grande diferença...






Adorei ter-vos a todos, de verdade... ok, quase todos, exceptuando os ranhosos.
Fiquem bem.



segunda-feira, 31 de março de 2014

Falemos do Zé - 2/...



" Trago no olhar visões extraordinárias, de coisas que abracei de olhos fechados..."
- Florbela Espanca



Tinha então ficado ali na puberdade, não é verdade? Ohh, a puberdade, fantástico momento das nossas vidas. Os bicos dos mamilos e uma dor incómoda, é verdade, só o toque da roupa e uma gajo ficava logo fodido. Lembro como  se fosse... há muitos anos! Mas lembro. Confesso que o acho um pouco solitário, no entanto, não deixa de ser bom. Nós e as revistas, nós e os filmes, nós e as revistas, nós e os filmes... e até que chega o dia em que damos vida às revistas e aos filmes. Bom, não esperem por algo tremendamente romântico, bonito, singelo... eu acabo-vos já com a remelice: duas bombadas e está feito! Que é? Estavam à espera do quê?! Devem pensar que um puto, com uma madura, uma tia, ( na altura o pessoal ainda não se tratava assim, mas agora é o equivalente ), com doze anos de idade, a pensar que ia só para uns cuspes, uns apalpões ( boas mamas que elas tinha! ) e uns dedos enfiados na tarrachinha ( jesus, aquilo era uma fornalha! ) e chega lá e pronto tem que fazer o serviço completo, ou seja descer à fornalha... o calor e a humidade são fodidos... e está feito! Lamento! a vida é assim, do pó nasces e ao pó voltas, daqui a uns anos será o mesmo, é um facto! duas bombadas e está feito!
Bom, resumindo e acelerando: foi deveras precoce, valeu pelo acto ter sido feito a dois, e sai dali sem saber o que tinha exactamente feito e continuei inocente... na medida da inocência que se tem com aquela idade.

Aí por volta dos últimos anos do milénio e depois de terminada a licenciatura, assediado pela família o Zé enveredou pela carreira militar. O lema foi: "homens de ferro em botes de borracha". Mas a verdade é que os homens também vergam como a borracha e a saudade da terra, da família mais próxima, duma vida mais calma e mais preenchida me trouxe de bolta ao meu Porto, abdicando, quem sabe de ser Capitão de mar e guerra. Todavia, a minha veia de oficial e cavalheiro, deixou as suas marcas pela capital e deixou-as igualmente comigo, bem marcadas e que continuam presentes na minha vida.
Numa bela noite, na messe,  já depois do repasto, foi-nos apresentada uma beldade, filha do Senhor Tenente-Coronel. Além de outras coisas, não menos importantes, mas que não vêm para aqui ao caso, não vão as minhas queridas e atentas leitoras corar, rejubilar e quem sabe fazer outras coisas quaisquer  na primeira conjugação do verbo, mas a menina em questão introduziu o Zé na solidariedade. Confesso que ao início era apenas um pretexto para solidarizar mais intimamente com ela, mas depois, o gosto por estar presente na vida de quem as pessoas estão ausentes, foi crescendo e me levou às ruas da capital, ajudando os sem-abrigo. 
Concordo que seja uma tarefa egoísta, para mim. Por me fazer sentir uma paz e uma bem-estar interior inegualáveis. Mas sei que, algures, por Lisboa e agora pelo Porto, faço bem, não só pela comida, pelo abrigo, pelo acolhimento e pelo vestuário, mas acima de tudo pela companhia que faço, e que de alguma forma preenche a solidão a que estas pessoas estão entregues.
É um projecto que abracei e ao qual me dedico, talvez de uma forma que apenas me é permitida porque ainda não constituí a minha família. Só desta forma me posso dar... 
Não tenho no meu historial menção de ter reinserido alguém, mas tenho perfeita consciência de ter feito o bem. Não basta, mas... um dia chegamos lá!

E pronto, as mentes mais curiosas, já sabem um pouco mais do Dear Zé. 
Um dia destes continuamos.


segunda-feira, 24 de março de 2014

Falemos do Zé - 1/...



" In the end, we'll all become stories."
- Margaret Atwood



Dear Zé nasceu... não, o Zé nasceu na década de 70, já depois da Revolução dos cravos, e é natural da freguesia de Lordelo do Ouro, do Concelho do Porto. Ainda com alguns meses de idade, emigrou com os pais para o Rio de Janeiro, sendo carioca até à tenra idade de 4 anos, altura em que voltou às origens.

Da família, destaca-se o facto de estar no seio do gaijedo. E passo a explicar: são oito irmãs, sendo uma delas a minha mãe; todas elas pariram fêmeas, pelo menos duas, e há apenas 3 machos sobrinhos, perfazendo a totalidade de 29 sobrinhos (26 gajas, portanto. É muita fruta!!!). Digo-vos muito sinceramente, é preciso paciência para as aturar, quando se juntam, coisa que acontece unicamente, e graças a Deus, uma vez por ano, no Natal. Delas, das mulheres, de todas, porque ainda assim convivo amiúde com muitas delas, herdei o gosto pelas mulheres, sim porque elas gostam todas delas próprias, são umas convencidas do caralho; herdei o gosto pela cozinha, aprendi a cozinhar com a minha avó e sempre que nos vamos juntando vou aprendendo com as outras, e aprendi a saber atura-las... mas, acima de tudo a saber respeita-las porque sim, são mais quase tudo do que nós, homens.
De referir que tenho família de norte a sul do país, e inclusivé além mares, no Brasil. E que nos juntamos todos os anos, como já referi, no Natal. Nos dias de hoje, estes ajuntamentos têm uma dimensão mais adulta, obviamente, e vai sempre falhando alguém, mas o grosso, consegue juntar-se. Falamos ( os que têm ) dos cônjuges, dos filhos, do trabalho, dos projectos, mas na minha infância, ERA UM PUTO DUM ESPECTÁCULO! Como devem imaginar, ter tanta filharada junta era o fim do mundo, e era a melhor altura do ano, ainda mais que o Verão, que tanto adoro. Logo depois do Verão, ansiava e começava a contagem decrescente para o Natal. Não pela época em si, não pelas prendas, que, claro, também era um factor importante, ai não, foda-se, aquilo era uma alegria, mas pelo simples facto de nos juntarmos todos e passarmos cerca de 3 a 4 dias em plena festa, valia por tudo! Por tudo! 
Finalizando, o facto de ter vivido no Brasil, período de que não me lembro, tenho apenas vagas memórias, todavia, a circunstância de, de dois em dois anos viajar até lá, não deixou fugir a vivência. Dos países que visitei, sempre que chego, recolho de imediato uma sensação, um cheiro, uma imagem, um som, algo me conecta aquele sítio, e e me diz que aquele não é o meu país, e me faz ou não gostar deste. Do Brasil, tenho as gentes, as mulheres, o cheiro e o calor, algo inexplicável me liga a este país e me faz gostar dele quase tanto como do meu. Um segundo lar, sem dúvida! Do livro de Miguel Sousa Tavares, Rio das Flores, retiro e vivo quase como na primeira pessoa, embora os tempos fossem diferentes: " No hangar cheirava a combustível e reinava uma confusão totalmente irremediável.(...) Cá fora, a chuva tinha abrandado e parecia que ia mesmo cessar por completo. Ele não se importou com a chuva: caminhou uns passos para fora, acendendo um cigarro e aspirando o ar a plenos pulmões. O cheiro asfixiante a clorofila entrou por ele adentro como um sopro e deixou-o quase entontecido. Depois, veio-lhe também um discreto cheiro a maresia, seguramente da baía de Sepetiba, ali ao lado - mas, para quem tinha acabado de chegar das praias de iodo do lado de lá do Atlântico, aquele sinal de mar próximo era tragado, de um só golpe, pelo cheiro inebriante do verde da floresta.". 

Da infância à adolescência foi um tiro. O Porto era ainda uma cidade pequena, e não deixará muito de ser, como todas as cidades e regiões deste país pequeno que teima assim permanecer, restringe-se a uma única cidade, Lisboa, mais desenvolvida, nela tudo concentrando e investindo, ainda que, não necessariamente de forma correcta, mas esquecendo tudo o resto, de norte a sul, e fazendo das ilhas a arrecadação ou o quarto dos fundos... adiante e cortando caminho. Cedo nasceu o gosto pelo desporto, o qual ainda permanece, tendo sido federado pelo FCP, e não em futebol, mas que não teve grande futuro por... por circunstâncias de uma vida ou de uma educação que nos faz ter apenas o futebol e não outros desportos como modo de vida; e o gosto pelo mar, o que mais tarde levou a uma formação, mais ou menos, orientada nesse sentido, e o gosto pelas gajas, que, ao contrário do que poderiam esperar, pela convivência com tantas, me levou a gostar tanto delas, e não, a parecer mais uma delas, heheheh. Livra-te, Zé!

Gajas. Finalmente! O Zé, tendo como mestre seguidor o avô, que já quinou, mas que sempre recordo com saudade, aprendeu a arte de cortejar ora por Velasquez, ora na Avenida que dava ao Castelo e arrabaldes.
Tudo muito certinho e orientado até à idade dos doze anos, em que, por arte e saber de uma donzela bem mais velha, iniciei o verdadeiro gosto pelas mulheres. 

Bom, mas como o texto já vai longo e o respeitável leitor já estará murcho com a leitura, interrompamos o coito, salvo seja, porque cópulas, apenas com as senhoras, vá, atenção aí à plateia apanisgada, nada de histerismos, e continuemos noutro dia, neste mesmo sítio, a uma hora qualquer que vos, e a mim também, pareça mais aprazível.
Ficando a dica de que foi uma coisa muito inocente, com doze anos, naquela altura, um gajo não sabe nada... nada!!

Até à próxima.


quinta-feira, 20 de março de 2014

Eve!





Abeirei-me dela e disse-lhe boa noite. Ela permaneceu queda e muda. Sentei-me a seu lado e do meu saco de tiracolo, tirei a térmica com chá quente, e remexi à procura do pequeno copo de plástico extra que sempre levo. O breu não ajudava na busca e ela disse numa voz de palavras espaçadas: Não é preciso. Tenho um. E apontou-o para mim. 

Enchi os copos. Ergui os olhos ao céu e bebi o líquido que fumegava perto dos lábios. Ela acompanhava os meus gestos no silêncio do seu espaço. E assim, aos poucos, iniciámos uma longa conversa. Já a noite era quase dia, já os barulhos se intensificavam, e ela, pegando num dos seus sacos,vasculhou-o. 
O que tem aí, perguntei-lhe. Ahh, apenas um saco cheio de coisas minhas, respondeu, e continuou na procura. Ah ah, aqui está ele! Voltando-se para mim, começou:Você é um moço bem parecido. E sabe uma coisa, não me leve a mal, e pegando-me na mão, abriu-a, e nela depositou o que do saco tinha retirado, fechou-a com firmeza. E continuou,  mas os homens solteirões são uns tontos! Arranje-me já uma mulher, enquanto é tempo! Dei uma gargalhada. E prometi-lhe, que o faria.
Era o S. António, que me tinha dado. 
Esta, como outras coisas, tenho-as aqui guardadas numa caixa, cheia de coisas deles.
Não mais a vi. Não sei se vive ou se ainda sobrevive. São pessoas que não desistem da viver, mas que o fazem da vida. Histórias e grandes noites passadas. Um pouco de mim, para quem nada pede e pouco espera...


(O filme Wall.E, revi-o ontem à noite, e o romance do Wall.E com e Eve, fez-me recordar delas, da minha Eve e da senhora "com um saco cheio de coisas") - La vie en rose





terça-feira, 4 de março de 2014

Nesse dia, meu coração batuca...





É verdade minha gente, meu coração batuca por essa terra maravilhosa que me acolheu nos primeiros anos da minha vida, e me acolhe por cada dois anos ( e este é o ano!! ), e batuca também por ela... que está lá longe, não na terra das capivaras, mas na terra da menina com a maminha de fora... fu fuuuu! 
Eita, coração vagabundo!!

Batucadas  (pra mexê a bundinha. Delícia! )




sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

"Em todas as almas, como em todas as casas, além da fachada, há um interior escondido."




A chuva e a humidade persistentes, entorpecem-me os dedos. tenho as mãos geladas e o coração aos pulos, a pele seca, os nódulos gretados e os pensamentos por ai perdidos, não sei bem onde, por onde me perco, por onde me deixo, por onde vou ficando. às vezes gostava de vos poder contar, contar o que me escorre e me sangra o coração. falar-vos de sentimentos, da vida e da razão, mas não passo de um boneco, de um personagem ao qual não está destinado esse papel. 
Com esmero e alguma volúpia colecciono pedaços de vós, com canseira e desinteresse mostro retalhos de mim.
Foda-se lá o drama! É que o drama, no final só nos trama!
Bom fim de semana a todos!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Volto já...





"Dói-me qualquer sentimento que desconheço; falta-me qualquer argumento não sei sobre quê; não tenho vontade nos nervos.(...) E escrevo estas linhas, realmente mal-notadas, não para dizer isto, nem para dizer qualquer coisa, mas para dar um trabalho à minha desatenção. Vou enchendo lentamente, a traços moles de lápis rombo(...), o papel branco de embrulho de sanduíches, que me forneceram no café, porque eu não precisava de melhor e qualquer servia, desde que fosse branco. E dou-me por satisfeito. Reclino-me. A tarde cai monótona e sem chuva, num tom de luz desalentado e incerto... E deixo de escrever porque deixo de escrever." - Livro do Desassossego


Depois de amanhã faz um ano que comecei esta brincadeira. Desde logo me propus escrever... umas vezes rombo, outras afiado, mas o propósito era sobejamente esse, tanto que nem sequer colocava imagens. Por sugestão das meninas, comecei a adornar o tasco... sempre mais e mais até me esquecer das palavras.

A manhã vai fria, não tanto como os dias anteriores, deserto de palavras e com a sensação de frustração, recolho-me, insatisfeito... Na porta fica um "volto já", apenas com a certeza do retorno, mas com a indeterminação da frequência, como já tem sido hábito.

Até já...




segunda-feira, 11 de novembro de 2013




Desde pequenote que nutro um especial gosto por casas antigas, daquelas que pararam no tempo. No tempo em que eram grandiosas e assim permaneceram, inalteráveis.
Fascina-me: a descoberta das histórias que nelas se encerrarão, o ranger do soalho, as passadas sobre as tapeçarias faustosas e roídas, os quadros com retratos de gente passada ou de paisagens campestres, as fotografias a preto e branco em molduras de prata, com grandes sorrisos clássicos e postura enobrecida, as janelas grandes, que nascem do tecto quase até ao chão e as cortinas pesadas, quase sempre abertas, os móveis rebuscados, velhos, com um cheiro a madeira, as paredes caiadas, com palavras dentro, com risos gravados, gritos fechados, choros consolados e gemidos escondidos, e por fim, mais que tudo, as estantes com livros, cheias deles, muitos... horas intermináveis de prazer...

Todas elas têm histórias, umas mais do que outras, boas e más, mas o que seduz não é remexer na vida alheia, mas sim saber da história, do tempo volvido, da vida passada que aquela casa teve.

Manias do Zé. Nada de grave, portanto.



segunda-feira, 4 de novembro de 2013





Por entre a névoa tão característica daquela cidade, caminhava sob a luz ténue e intercalada dos candeeiros de rua, sujos e riscados. Pelas ruas estreitas e vazias seguia o seu caminho, com destino incerto e errante. O silêncio era profundo, e além do bater das solas nas pedras da calçada, apenas conseguia ouvir o amotinar de pensamentos na sua cabeça.

Ao cimo parou. Olhou para o céu pintalgado de nuvens grandes e brancas, algumas cinzentas, que a luz da lua cheia fazia reflectir. Fechou os olhos e sentiu umas fracas e esfumadas pingas de chuva sobre a face. Tacteou o corpo com as duas mãos e expiou os bolsos à procura do tabaco. Sorriu com desdém e disse a meia voz: Já não fumas, estúpido!

Ter-lhe-ia sabido bem um cigarro naquele momento. Sentia um enorme aperto dentro de si, um desassossego que se acomodava por todo o corpo e quase lhe rebentava o peito. O inspirar do fumo, tê-lo-ía acalmado. Apesar de maléfico, tinha esse efeito, de tranquilizante.

Abanou a cabeça, lamentando-se, mas, pelo menos naquele instante de tempo, tinha-a ocupado com outros pensamentos, ainda que patetas. Continuou a caminhar, agora a par do rio, ouvindo chocalhar da água. Caminharia pela cidade fora, pela noite adentro e pelo desfiar dos pensamentos.

Logo, não sabia quando, seria dia, talvez chovesse ou fizesse sol, mas a vida continuaria indiferente à sua razão. E "pensar, sentir, querer, tornam-se uma só confusa coisa. As crenças, as sensações, as coisas imaginadas e as actuais estão desarrumadas, são como o conteúdo misturado no chão, de várias gavetas subvertidas."