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segunda-feira, 10 de março de 2014





"Deixava o livro e ficava-se horas a ver o pássaro debater-se na gaiola. Nua, o sol batia-lhe de chapa sobre o corpo estendido na cadeira de repouso vermelha e azul, azul só nas pequenas flores, flores minúsculas aqui e além no tecido brilhante, macio. O livro no chão marmóreo da varanda, a capa dobrada a formar um vinco no verniz lustroso, a gaiola dourada com um suporte esguio, alto, nascendo de uma base tripartida: três pés curvos muito separados, junto à mesa onde se esquecia um copo. E ela nua na cadeira comprida, o sol de chapa no corpo liso, suado.” 
Maria Teresa Horta




segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O que vês tu à janela, Zé?



Já vos contei que tenho um telescópio? Já! Foi há muito tempo, mas já contei (espreitem). Esteve uns tempos guardado, esquecido, e ontem, na amargura da solidão, lembrei-me dele, de lhe voltar a dar uso e explora-lo, apenas e tão somente a fim de colmatar os tempos mortos, obviamente!

Então, aqui nos meus pensamentos, tinha ideias de, hoje, ir para casa, dar um tête-à-tête com a D. Arlete, despacha-la, jantar e instalar-me à janela da sala. E esfregava as mãos enquanto congeminava a cena....

Mas, ardeu tudo! Os dias são curtos, vai frio, a malta fecha as persianas cedo, pelo que não me parece que vá ter sorte. Enquanto isso, caríssimos comparsas, deixo aqui uma hipótese do que eventualmente veria se... elas lá estivessem!