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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Elas tramam-nos sempre!





Nos segundos, talvez minutos ( que divididos são segundos, caralho! és como uma calhau, Zé! Siga, senão ainda te enterras mais ) após... após o coito ( coito, Zé, coito caralho?!! após a foda, com a cabeceira da cama a bater na parede e os vizinhos fodidos, ressabiados por ouvir aquilo tudo, e a vizinha do lado a meter os dedos e o homem no wc a bater uma. Assim é que é! ), ...após tudo isto que eventualmente durou segundos ( outra vez tu e o tempo, tens que cronometrar tudo, dasse! ), e ainda com a respiração ofegante e o peito apressado, ela agachou-se nele. ( Calma! Calma aí, que a procissão ainda vai no adro! Passaram-se segundos, lembram-se? Portanto, ela agachou-se para ficar no mimo, no rum-rum, na ronha ), e ele com a ponta dos dedos, calcorreou-lhe os braços, os ombros, o peito, os mamilos... ( voltamos à corrida de novo. Rijo e firme! Olé! ). 
Trocaram carícias, um breve cafuné, mais carícias, pequenos e repenicados beijos, algumas palavras, carícias, toques mais profundos, palavras outra vez... lembraste, lembraste do que te disse, em tempos? Gemidos, beijos demorados, e mais palavras... disse-te assim: desencanta-te de mim depressa, antes que seja tarde demais para me descobrires Lembras-te?! E ela agachando-se nele ( e agora sim, para fazer aquilo que se deve fazer, ou é suposto fazer, quando se agacha perante um homem ), antes ainda de o acariciar, respondeu-lhe, com os olhos arregalados, pedintes e ligeiramente provocadores, no seu verde infinito e consolador: não faz mal, adoro labirintos!E engoliu-me! Cabra! Sabe sempre como me dissuadir...  )





quinta-feira, 12 de junho de 2014



Tentava lembrar-me de como tudo começou, de como a vida nos cruzara naquela combustão de segundo e de como nos havia ligado assim, assim sem saber como explicar, assim, assim, assim... ou assim como quem tem medo de dizer, porque sabe, mas simplesmente tem medo de o dizer e então fica-se pelos silêncios pensados.

Na inutilidade do esforço, as lembranças vão parando em momentos, em fracções de segundo, em palavras sussurradas, num esgar teu, no teu cheiro que sinto todos os dias na t-shirt que deixaste esquecida, segundo dizes, mas sei bem que é propositado.

E volto aquela foda de joelhos. Aquela em que te pões de costas para mim, com o rabo empinado, a menear, a dançar à minha frente. As mãos a agarrarem-te a cintura, o meu corpo a bater contra o teu, e a entrar em ti sucessivamente, repetidamente. Apanhar-te o cabelo que já está colado na cara pela transpiração, puxar-te a cabeça para trás, cortar-te a respiração, abafar-te os gemidos, e entrar em ti bem fundo até sentir as tuas pernas a tremer...

E enquanto a vontade engorda, a alma mirra e quase entristece. Tenho saudades tuas. 

Caralho pah, tinha intenção de meter aqui uma coisa assim, assim, assim, como vocês sabem, mas que eu não consigo dizer, e ainda não será desta...

A ouvir Madness, Muse


...




sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Das palavras com tesão






Colocou a música que ela lhe deixara e pedira para ouvir, fechou os olhos e imaginou-a já a sussurrar-lhe ao ouvido as palavras faladas naquela língua que ele esquecera, que julgava morta e em desuso. Tata tananana na, tanananana na.... trauteava, ele, enquanto pensava, raios, vou ter que voltar a falar français... fu fuu! Sorria e dava mais um gole, encostando a cabeça para trás, e voltando a fechar os olhos, apreciava o calor do líquido bebido a subir pela garganta, e atentava à música que lhe despertava novas cenas na sua imaginação...

Encostada de costas ao espaldar da cama, com as pernas em leque e abertas, puxava vagarosamente o vestido, amarfanhando-o entre elas, contorcendo-as. Com um ar de folia ele aproximava-se, balançando o corpo e estalando os dedos ao som do tata tananana na, tanananana na.... de joelhos ao fundo da cama, agarrava-lhe pelas pernas, junto aos tornozelos, e com firmeza puxava-a para si, deixando-a deitada sobre a cama, à sua mercê... 
Abababubu yeah... a par, os dedos subiam-lhe pelas pernas, parando a caminho para lhe arrabeirar a pequena penugem púbica, seguindo depois, apanhando o vestido e levantando-o até o tirar pela cabeça. Deitando-se sobre o seu peito empinado, ficava ali, quieto, recebendo o seu calor e brincando com os mamilos, ora com os dedos, ora com a boca. Como era bom aquele leito! Huummm...hummmm, e a música reiniciava...
Despertando com o som, levava-lhe a mão entre a pernas, tacteando-lhe o jorrar de desejo. Afastando-as, posicionava-se entre elas e massajando-lhe a vulva, penetrava-a morosamente até lhe perceber o trejeito na boca em sinal de ledo. Ao mesmo tempo que o espaldar da cama batia contra a parede, compassadamente, de olhos fincados um no outro, ela dizia-lhe: eh toi, dis-moi que tu m'aimes...Shiuuuuu, dizia-lhe ele, em tom de voz ofegante, aumentando a cadência dos movimentos... não contes do vestido que te tirei... nem o que contigo faço para te ouvir gritar... shiuuu... e sufocando de prazer dentro do seu corpo, afundava-se continua e impetuosamente, e prosseguia, não contes também tudo o que te digo... pois é segredo... je t'aime... shiuuu...

A música terminara, e olhando o copo vazio pensava, não está mal de todo, os vizinhos é que iam ficar fodidos com tamanha chinfrineira. Levantou-se para voltar a encher o copo e colocar outra música.


Bom fim de semana.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Porque as manhãs de chuva, carrancudas e espessamente húmidas





deveriam ser destinadas a estarmos na cama
enrolados nos lençóis, tragava o teu corpo em suaves prestações
e estendidos pela cama, percorria a tua pele a conta-gotas
para por fim, escondidos na roupa, branda e tepidamente, me embalar nas tuas nádegas
e, miseravelmente cansados, inventávamos o sono
deitado no teu colo, dentro dos teus braços, enrolado no teu cheiro
corria as pálpebras tropeçando no sono.



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Gosto e pronto!


Gosto de quando me surpreendes, e não falo de quando me apareces sem cuequinhas, de todas e a cada vez, sim, me surpreendes, minha ordinária, mas falo de quando me invades o leitor de música e me violas os gostos musicais, e me penetras com a tua música. E eu deixo. Fraco! E envolvo-me e danço contigo. Vens com esse ar de menina pedinte e a gingar o corpo. E eu derreto-me. Fraco! Encosto então a minha perna à tua perna, o meu flanco ao teu flanco, o meu ombro ao teu ombro, roçamos o sexo um no outro e em perfeita sincronia de movimentos os nossos corpos baloiçam.

E nesta altura, aí o público rejubila e já bate palmas, vá oiçam a música senão esta merda não funciona e não entendem patavina do que vos escrevo. Ta ta ta lose yourself to dance  ta ta ta lose yourself to dance ta ta ta... E vocês ai na secretária, ginguem também, vá aquele jeitinho com o ombro, de um lado para o outro, mãos no teclado. atenção aí à compostura, há quem lhe chame javardice, e nada de cotovelos na mesa, foda-se.

E depois desapertas-me um botão, um atrás do outro com uma velocidade louca, é impressionante essa tua agilidade, e os nossos quadris continuam a sacudir-se, colados... e eu, com os dedos rombos e trôpegos, tento a todo o custo desapertar-te o soutien e... como eu odeio soutiens! Sim, odeio, e não é preciso assobiarem-me ai do público. Odeio porque nunca os consigo desapertar. Vá, continuem com as palmas, senão perco o ritmo. Vá!

Gosto de quando a música acaba, e já despidos nos tombamos e consumo-te o corpo, enquanto atas as tuas pernas à minha volta, e por entre palavras e insultos, debates e recuos, acabas por te entregar, indefesa, e numa cascata de gemidos, desvaneces por entre trejeitos da boca e uma feição perturbada de como se fosses chorar. E tudo isto, não como um fraco, mas como um homem que te deseja à séria.

Gostos, são gostos, e a malta aí, nada de apupos, oiçam mas é a música  - Lose yourself to dance






quarta-feira, 9 de outubro de 2013



Terminavam a refeição. O silêncio apoderava-se da sala e já nem o remexer dos talheres ocupava o espaço vazio. Ela pousava os olhos sobre o guardanapo ao colo, e com as mãos encostadas à mesa, sim porque a mãe lhe ensinara que nunca se punham os braços e cotovelos sobre a mesa, aguardava que algo renascesse naquela quietude íntima e secreta, mas constrangedora pela demora. Descalçou um sapato e sentiu o chão com a ponta dos dedos e num tom de voz tímido perguntou-lhe: E agora? E numa entoação gasta, ele respondeu: podemos começar por aqui, e enquanto me debicas o sexo com a boca, eu afago-te os cabelos. Sem pressas. Posso prende-lo em trança ou em rabo de cavalo, sempre me facilita o manejo enquanto te empurro a cabeça. E num crescendo generoso engoles-me o membro. Gosto de te ver com a boca cheia enquanto beliscas os mamilos para que se empinem. Gosto de ver ruborescer a tua face e do encarnar dos lábios. Gosto da saliva que me vais deixando pelo malho acima. E quando me chupares os testículos, hei de relembrar-te para que metas dois dedos, bem fundos, nessa cona encharcada. Depois, durante o tempo em que te ocupas de ti e te tocas, buscarei a minha densidade de carne e num ritmo cadente aguardamos o desfecho, e entalo-te o malho na boca e escuto-te os gemidos enquanto acolhes os meus, como um brandir de corneta, assim que me vier. Gentilmente, acariciar-te-ei o rosto e os cabelos, e contornando as feições, estendo os dedos, aparando o líquido que te escorre por entre os lábios. 
Nada mais tenho para oferecer...




David Bowie, Absolute Beginners





segunda-feira, 1 de julho de 2013

As coisas que nunca se entenderão - IV






Não obstante os homens viverem com a fama e de, melindrosamente, lhes ser atribuída a vulgar aptidão de mentir às mulheres...
Não obstante o acto ser ou não um sofisma...
Não obstante elas, as mulheres, fazerem-no de uma forma mais hábil, camuflada e inteligentemente usada...
Há verdades que pronunciamos sem qualquer dificuldade.







quarta-feira, 8 de maio de 2013

Aos oito de Maio de 2013



Hoje está um dia enfadonho. Choveu. Só apetece estar em casa, na pastelice, com uma dama generosa a nosso lado, a fazer um cafuné. E um gajo aos poucos fica com ela tesa... grossa. As veias salientes com a torrente de sangue a correr, recebendo os estímulos enviados pelo cérebro.

Hoje apetece dar carinho. Chama-la para o meu colo. Senta aqui, vá, senta no colo do Zé. Ela vem, despida de roupa e vestida de vontades. Linda. Perfumada. Quente. Com o cio à flor da pele macia e caiada. Cada poro emana um apetite, cada expressão emite um desejo, todo o corpo pede satisfação.

Hoje acolho-a assim que sobe para o meu colo. Devagar. Sim. Devagar o corpo desce. Um suspiro. Está toda lá dentro! O sorriso recíproco. Os braços à volta do meu pescoço. Um beijo no seio arrebitado. O mamilo espetado e logo de seguida abocado. Fica molhado e ainda mais espetado. A mão que toca no outro. Os dedos que o apertam. Beliscam. E a boca que continua a tragar aquele pequeno pedaço de carne.

Hoje levo-lhe a palma das mãos por debaixo das nádegas, levanto-a lentamente, e ainda mais devagar, a deixo descer. Repete-se o movimento arrastado, e depois, subitamente, uma forte e dolorosa palmada marca na pele, a vermelho, os dedos da mão. Os lábios entreabertos. A boca a ficar seca. O corpo febril.

Hoje acicato a presa com palmadas nas nádegas. Acelero o movimento. Espeto as mãos nas ancas e com vigor ajudo no movimento repetido e apressado do entra e sai, do sobe e desce em cima de mim. Os gemidos com a boca encostada à minha orelha, quase surdos, quase imperceptíveis e sempre irregulares, quando lhe afasto as bordas do sexo alagado e de dentro dela me afasto, para logo de seguida voltar. É bom lá dentro!

Hoje é assim. Generoso e meigo estou. Cheio de carinho para dar e de nas minhas mãos te querer desfazer.
Hoje está um dia enfadonho. Anda. Anda sentar no colo do Zé...





terça-feira, 5 de março de 2013

Gosto!






                                   Gosto de quando toca à campainha, lhe abro a porta
                                   e a vejo especada e envergonhada
                                   à espera que lhe pegue pela mão e a puxe para mim.

                                  Gosto de quando o seu corpo se encosta ao meu
                                  e lhe sinto o cheiro e o calor.
                                  E de cabeça baixa e a tez rosada
                                  aguarda que, com a ponta do dedo, lhe levante o queixo
                                  e lhe pregue um beijo quente e molhado,
                                  nos seus lábios finos e sedosos.

                                  Gosto de quando, sem jeito e timidez, me olha nos olhos,
                                  põe o cabelo para trás da orelha
                                  aperta e desaperta o casaco,
                                  e, de mãos entrelaçadas, com um sorriso nervoso
                                  numa voz de menina, me diz:
                                  - Bom dia Zé!

                                  Mas quando entra em casa
                                  e lhe tiro o vestido,
                                  Não é a roupa que cai,
                                  é o corpo que é despido!