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sexta-feira, 14 de agosto de 2015



Remexo-te nas coisas, não com a intenção de vasculhar, mas sim de encontrar parte de ti, ali.
Uma lembrança, o cheiro, o riso, uma palavra, qualquer coisa serve. E eis que vem, do nada, nem estava ali nas tuas coisas, mas a ânsia de te ter, fez-me chegar.

Fecho os olhos e sorrio. É quase a sensação de te ter ali ao pé de mim, quando subíamos o lanço de escadas entre a garagem e o hall de entrada do prédio, e no tropeçar de degrau, veio o beijo, e a carícia, a seguir. Veio a vontade, aliás, veio a vontade toda do mundo, como sempre acontece, como se o daqui a bocado fosse acabar, e assim, a urgência de te ter. E ficaram os corpos agarrados, os dedos à busca, e as palavras abafadas do medo de aparecer alguém. E alargo ainda mais o meu sorriso...

E depois, ajeitamos os corpos um no outro, e eu entro em ti, ouvindo o gemido no escuro do espaço, e imaginando o rosto que não vejo, e que, por isso, toco, a apalpar os lábios e a sentir o teu respirar ávido. E, no vai-vem da pélvis, te fodo, te amo, te fodo e te amo, até sentir o afrouxar do gestos e escutar-te a respiração branda.

É mais ou menos assim que eu te amo. Muito depressa. Muito!






sexta-feira, 17 de julho de 2015

Moi non plus

Pedia-me para que a amasse devagar, ainda que urgentemente! No vagar dos dias, ao correr da sua música, calcorreando-lhe o corpo, queria que a amasse devagar. Tudo a seu tempo, na sua hora, ainda que sem marcação, apenas devagar.

A doçura do seu sorriso, a graciosidade dos seus gestos, faziam-me ceder. Sentia a maciez da pele do seu peito no meu dorso, e cedia. As suas palavras, com aquele accent franciú que tinha adquirido, faziam-me ceder. O choradinho que fazia, entre "nãos", "sins", "pára" e "mais" e mais e mais.  E o trejeito... ohh, o trejeito, que quase sempre acabava num uivo, esse, sim, desarmava-me por completo, e faziam-me esquecer de que não era assim que a amava, devagarinho, mas que era assim que ela pedia, e eu cedia...





terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Lá fora na rua...


      Estava um vendaval. As pessoas, assustadas, refugiavam-se onde podiam. Os pássaros voavam desnorteados e empurrados pelo vento. Papeis, folhas de árvore e limalha enchiam o ar e afugentavam os passantes. Ela correu até à entrada do edifício, e ajeitando o cabelo emaranhado, tocou à campainha. Do outro lado ouviu-se levantar o auscultador e um "Sim" seguido pelo ranger do automatismo que abria a porta. Ela sorriu e ainda de volta do cabelo, respondeu que estava já a subir.

      Lá dentro, ele segurava a porta, com o rosto nela encostado. O tlim do elevador ouviu-se e a porta abriu, mas ninguém saiu e, passados segundos, voltou a fechar-se. Ele franziu o sobrolho e esperou. Nada. Esperou. Nada. Esperou. Nada. Esperou. Nada. Esperou. Nada... perdão, hoje estou em modo vinil e agulha já está gasta. Mais uma despesa!! A porta do elevador abriu e tinha o 6º andar marcado. Ora foda-se, pensou ele. Não vou! Da última vez, a gaja deixou-me pendurado com a cadela e nunca mais apareceu. O Mr, que vá lá, porque eu não tenho paciência para tamanho secretismo. Mas... mas onde se terá ela metido? Terá ido para o sexto andar? Estarão juntas? Deverei subir? Será que me esperam? As duas!!! Vou buscar o leitão, uma garrafa de espumante e petiscamos. E ao voltar-se deu de caras com ela. A guedelhuda, não a do 6º andar. Onde estavas? Ela sorriu-lhe com ar enigmático e puxou-o para dentro. Ele ficou pensativo e intrigado, mas entraram sem mais porquês.

      Lá fora, a maralha aguardava ansiosamente pelo desenvolver da história. Sexo, mistério, drama, terror, romance, comédia, qual seria o enredo? Bom, caso não tenham ainda reparado, também eu gostava de saber, de outro modo não teria feito este parênteses.
Drama, drama, diziam algumas meninas. Não, suspense, pedia o R. Podias fazer um musical, sugeria a Estrela. Romance! Faz um romance, pedinchava a Solana, pestanejando. Calem-se, que eu agora vou dizer os números do Euromilhões, barafustava a Pseudo. Sexo... hmmm... Sexo... SEXOOOO... dizia a minha camionista, por entre gemidos e arrulhos. Não, não, não! Se é guerra que seja um épico: suga a energia do exército adversário e arranca o coração dos seus generais! Rugia o Primaço. Calma, com licença, desculpem, afastem-se que eu tenho que fotografar o momento, ordenava a RT,  e eu ponho a música, rematava o Mr, pode ser este mix, mas começa ao minuto 1:00:32, e depois é que começa do início.
Os restantes, aqueles que não referi, bem sei que estavam todos ao lado da nAninha, bem sei que ela tem aquele ar frágil, doce, mas move milhões! Ok, são apenas centenas, nada de exageros, sua convencida! ... mas eu, por mim, que sou um gajo tímido, vou-me para um épico. Família é família! Preparem-se meninas! Recostem-se e apreciem.

      Outra vez lá para dentro, pois já disse que está muito vento.
De joelhos, aos pés da cama, ele agarrou-lhe pelos tornozelos e puxou-a até junto dele, deixando com a pernas flectidas e abertas. Shiuuu... pediu ele, enquanto lhe passava a mão sobre a rara penugem da púbis. Acariciou-a desenhando cornucópias com a ponta dos dedos e afastando ainda mais as pernas beijou-a. A púbis. Beijou as coxas até aos pés e subiu de novo, mas pela parte de dentro, até às coxas, outra vez. Devagar e cuidadosamente, afastou-lhe as bordas. Vá, minha gente, não reclamem! Adoro esta palavra! As bordas da cona! é sexo puro! Os lábios vaginais, faz logo parecer que se está a ler um documentário ginecologista. São as bordas e pronto, afinal de contas eu sou o realizador, o produtor, o guionista e tudo o resto, vocês só lêem!
Afastou-lhe as bordas e viu escorrer por entre elas aquele líquido algo viscoso, algo consistente e algo saboroso, com um leve sabor adocicado. Afastou-as com os dedos e com a ponta da língua, alcançou-as. De imediato começou a dança inebriada com a língua, mantendo-as abertas com a ajuda dos dedos.
Beijou de novo as coxas e fez-lhe entrar um dedo, depois dois, e saíram ambos molhados. Entravam e saíam, embalados pelo movimento de vai-vém da sua pélvis. Denotando alguma frouxidão, atacou de novo, de novo com a língua e lábios e dentes, lambendo, beijando e mordendo, de modo aleatório... mordendo o coração que haveria de ser literariamente e literalmente arrancado.
Subitamente, levantou-se. Levantou-a, puxando-lhe pelos braços. Voltou-a de costas para si e, empurrando-lhe as costas, baixou-lhe a cabeça sobre a cama, deixando o rabo empinado. De novo de joelhos, metendo-lhe os braços por debaixo das pernas,  pelas virilhas, pousando as mãos sobre as ancas, enfiou a cara entre as pernas e lambeu-lhe as bordas, lambeu o clitóris até ao ânus e ziguezagueou a língua neste percurso.
Claro está, que ela mexeu, remexeu e tentou soltar-se, e gemeu, e pediu, e suplicou, e ameaçou, e aquele banzé todo que elas fazem, mas fixando-se no objectivo e no clitóris, que é o "coração" delas, ele, com a língua, a entrar por ela dentro, e os dedos, a friccionarem o dito, com mais força e mais rapidez e força e rapidez  e força e rapidez, e a língua e os dedos com força e rapidez... sentiu as pernas delas a fraquejarem, o corpo a deixar-se cair, os uivos, a contracção das coxas, e por fim aquele líquido, bem viscoso, a escorrer-lhe por entre as bordas, e o clitóris latejante a palpitar, tal como um coração!
Meigamente, beijou-a ( a passarinha desfalecida ), lambeu-a, humedeceu os lábios e disse: Huummmm... claro está que não tem que se dizer "hum", mas eu digo sempre. E mergulho lá de novo,  percebem??!

      Lá fora na rua, a noite cobria a cidade. Chovera e o vento amainara. A caminho do supermercado ele revia mentalmente as compras a fazer, e lembrava: leite, cereais, arroz, espuma de barbear, e bolachas... oreo, huuummm... ahh, e talvez um video-chamada no skype pela noite dentro.

Boa noite a todos. Espero que tenham apreciado, meninas. Cavalheiros... é por ali, pelo "coração" que se suga a energia do adversário.







sexta-feira, 12 de julho de 2013

Lá fora na rua...



      Os barulhos estavam guardados nas casas. Era hora de jantar.
Aqui e além uma carro passava; um cão ladrava; uma lambreta dava gás e apenas insistentemente os pássaros chilreavam.

      Enquanto isso ele acabara de chegar a casa, pousara as chaves no móvel da entrada,  juntamente com o saco de pão quente, e a passos apressados mergulhara no sofá. Após segundos com a cara enfiada nos assentos estofados a pele, voltou-se, fixou o olhar no tecto, sorriu, olhou o relógio e num repente levantou-se. Durante o dia, por várias vezes, ocupara os pensamentos nela. Não sabia porquê. Era inusitado aquele sentimento que o fazia procurar o desconhecido, mas o facto é que não era a primeira vez que acontecia e mais uma vez, lembrava a intrigante frase: "Cuidado Mr. Zé. Nunca desejes a vizinha do 6º esquerdo. Entre a voluptuosidade esconde um segredo para o qual não estás preparado."
Ao entrar no prédio, depois de ter ido comprar o pão, tinha reparado que as janelas do andar misterioso estavam abertas, e de novo a vizinha lhe assoberbara as ideias. Naqueles breves segundos, deitado no sofá, decidira que lhe ia tocar à campainha. Para o bem ou para o mal, estava decidido.

Foi ao espelho do quarto, observou-se, arranjou o cabelo farto com os dedos, alisou a camisa, endireitou as dobras nas mangas e perfumou-se. Deu um novo olhar de revés, sorriu e pensou, piscando o olho: não te resiste Zé, convencido do caralho. E saiu porta fora.
No elevador, a ansiedade apertava-lhe e secava-lhe a garganta. Nunca mais chegava...
A porta abriu e resoluto caminhou em direcção à entrada e tocou à campainha. Aguardou. Um silêncio absoluto apoderou-se do andar. Voltou a tocar. Levou as mãos aos bolsos e aconchegou o seu mais que tudo. Sentiu um formigueiro nervoso por todo o corpo. Raios! Raios! Raios, logo hoje que me decidi e ela não está! E se tem homem? E se é ele que vem à porta? E se... um trinque ouviu-se e a porta abriu devagar. Uma mulher alta, loira e de olhos azuis balbuciou algumas palavras que ele não percebeu. Tentando emendar o imperceptível, perguntou:
   - A senhora, está?
   - Sinhora, sim, está. Quem falar?
Era claramente de Leste, não apenas pela fisionomia, mas também pela pronúncia.
   - Zé. Sou o Zé, vizinho do 2º andar, queria dar uma palavrinha à Senhora.
   - Momento, por favor.
Fechou-lhe a porta e, depois do que para ele parecera uma eternidade, voltou e cedeu entrada, encaminhando-o por um corredor até à sala de estar. Convidou-o a sentar-se com um gesto de mão, e disse:
   - Sinhora já vem. Momento. - e abandonou a sala.

Sentou-se. Esfregou uma mão na outra, tentando secar a transpiração causada pelo nervosismo e olhou em redor. Havia poucos móveis. Alguns quadros na parede. Duas ou três jarras com flores naturais, invulgares e coloridas. Não havia porta-retratos. Cores alvas e linhas direitas. As janelas estavam abertas, tal como tinha observado anteriormente, e as cortinas esvoaçavam por elas fora. Um cão aproximou-se dele. Assustou-se com a súbdita e silenciosa aproximação do animal, mas logo rápido se recompôs e já fazia carícias à fêmea. Era uma "ela".
Mais uma vez, e já lhes perdera a conta, olhou o relógio. Nunca mais vem, pensou. 
Deitou novo olhar sobre a disposição dos móveis e adereços da sala, tentando reconhecer algo familiar ou que lhe proporcionasse identificar a dona do sítio. Em vão.
Levantou-se acariciando as orelhas da cadela que de imediato lhe seguiu os passos, como que a guarda-lo. Foi até à janela, segurando com a mão as cortinas que se escapavam para a varanda.
Estranhamente, e riu-se, questionando se haveria algo de certo naquela cena toda... e, estranhamente, uma vez mais, no prédio do lado oposto da rua, uma mulher, à janela, de máquina fotográfica com a mira apontada na sua direcção. Que estranho... foi quase um déjà vu.

      Caminhou até à beira da varanda e olhou para baixo. Na rua o mesmo vagar acontecia. O ocaso chegava, e no seu interior, um turbilhão de ideias fustigava-lhe a paciência e aturdia-lhe o corpo. Do outro lado a mulher desaparecera, e agora a cadela lambia-lhe os dedos. Aguenta Zé! Aguenta!








( a continuar...)

terça-feira, 23 de abril de 2013

Lá fora na rua...



          O dia terminava. Estivera quente e agora que o sol se punha, nas casas, as janelas estavam abertas, escancaradas, deixando o ar ameno entrar, e a azáfama do interior sentia-se e ouvia-se.


          Entretanto ele tinha entrado no prédio e aguardava a chamada do elevador. A Dª Cândida, uma simpática septuagenária do 1º andar queixava-se dos bandalhos que lhe enchiam a caixa de correio com publicidade, apesar do aviso colado mesmo à frente dos olhos. Perguntava pela família, pela vida, pelo trabalho, pela esposa que não tinha: Ai é verdade, o menino não é casado, esqueço-me sempre! Mas sempre perguntava! Contava dos netos e dos cursos no estrangeiro, dos filhos ausentes, das noras... bem, das noras nem vale a pena falar, dizia ela, e das receitas de culinária que lhe havia sugerido e se já experimentara.
E lá se despediu com um beijo babado na face e um rebuçado. Sim, dava-lhe sempre um rebuçado de goma, duro, intragável, mas dado com a maior das alegrias e vontades.
Ele sorriu-lhe. Devolveu-lhe o beijo, baixando-se, acolheu o rebuçado na palma da mão, sacado do porta-moedas preto de mola, e agradeceu recebendo de volta um piscar de olho azul e um sorriso matreiro de quem dá uma guloseima, à socapa, a um garoto. Ela voltou costas girando no seu tacão preto do sapato, comprado talvez há décadas, nas lojas da Baixa, e ele ficou ali parado em frente ao elevador, abanando a cabeça e vendo-a sumir-se por detrás da porta que dava acesso às escadas. Percurso que ela fazia questão de tomar todos os dias por forma a exercitar as pernas.

A porta do elevador abriu e ele entrou pensativo. Levantou a mão para marcar o andar e hesitou. Baixou o braço, encostou-se à parede do elevador e relembrou as palavras: "Cuidado Mr. Zé. Nunca desejes a vizinha do sexto esquerdo.". E mais depressa pensava, tão rápido o número seis seleccionava. À medida que subia, revia os números e as pessoas que no respectivo andar moravam. Um suave solavanco no elevador deu sinal de que tinha chegado ao destino. A porta abriu e mais uma vez hesitou. Já a porta corria a fechar, quando ele com a mão a deteve, e abriu de novo. Saiu.

Olhou para a direita e voltou-se de frente para a porta do 6º esquerdo. Um cheiro característico sentia-se no ar, aliás como em cada um dos andares, e todos eles diferentes.  Deu dois passos em frente e parou. Sorriu para si e mais uma vez lembrou: "Cuidado Mr. Zé. Nunca desejes a vizinha do sexto esquerdo. Entre a voluptuosidade esconde um segredo para o qual não estás preparado...." Raios! Mas porque raios não lhe saía esta frase da cabeça?! Parvoíce, Zé. Esquece lá isso! Chamou o elevador e desceu.


          Na rua, a poente, o céu misturava o vermelho com o laranja, antevendo o calor para o dia seguinte. No prédio do lado oposto da rua, à janela, uma mulher, de máquina fotográfica pousada no parapeito olhava fixamente em frente, como que estivesse à espera de ver alguém a aparecer. E ali permaneceu por algum tempo, correndo a mão dentro da camisa meio desabotoada que trazia vestida... 








( a continuar... )