quarta-feira, 9 de outubro de 2013



Terminavam a refeição. O silêncio apoderava-se da sala e já nem o remexer dos talheres ocupava o espaço vazio. Ela pousava os olhos sobre o guardanapo ao colo, e com as mãos encostadas à mesa, sim porque a mãe lhe ensinara que nunca se punham os braços e cotovelos sobre a mesa, aguardava que algo renascesse naquela quietude íntima e secreta, mas constrangedora pela demora. Descalçou um sapato e sentiu o chão com a ponta dos dedos e num tom de voz tímido perguntou-lhe: E agora? E numa entoação gasta, ele respondeu: podemos começar por aqui, e enquanto me debicas o sexo com a boca, eu afago-te os cabelos. Sem pressas. Posso prende-lo em trança ou em rabo de cavalo, sempre me facilita o manejo enquanto te empurro a cabeça. E num crescendo generoso engoles-me o membro. Gosto de te ver com a boca cheia enquanto beliscas os mamilos para que se empinem. Gosto de ver ruborescer a tua face e do encarnar dos lábios. Gosto da saliva que me vais deixando pelo malho acima. E quando me chupares os testículos, hei de relembrar-te para que metas dois dedos, bem fundos, nessa cona encharcada. Depois, durante o tempo em que te ocupas de ti e te tocas, buscarei a minha densidade de carne e num ritmo cadente aguardamos o desfecho, e entalo-te o malho na boca e escuto-te os gemidos enquanto acolhes os meus, como um brandir de corneta, assim que me vier. Gentilmente, acariciar-te-ei o rosto e os cabelos, e contornando as feições, estendo os dedos, aparando o líquido que te escorre por entre os lábios. 
Nada mais tenho para oferecer...




David Bowie, Absolute Beginners





2 comentários:

  1. Primo, cuidado com o cão...

    eheheheh

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. naaaah, fica entretido a roer os sapatos :)))))

      Eliminar